No Médio Oriente viveu-se mais uma noite de violência, sete palestinos foram mortos durante uma incursão israelita. Entretanto, Yasser Arafat está a ser pressionado pelo braço armado da Fatah que reclama uma voz formal no governo palestino.
Yasser Arafat está a ser pressionado pelo braço armado da Fatah que reclama uma voz formal no governo palestino, pedindo, ainda, ao presidente que abdique de alguns dos seus poderes. Esta proposta foi formalmente apresentada a altos membros da Autoridade Palestina pela Brigada dos Mártires de Al-Aqsa.
O documento de 10 páginas que o «Washington Post» teve acesso é já considerado uma das maiores críticas internas de sempre à corrupção na Autoridade Palestina.
As Brigadas de Al-Aqsa pedem que sejam expulsos e julgados todos os membros corruptos que monopolizam a economia palestina com o objectivo de «encher os próprios bolsos».
Esta é a primeira vez que o braço armado da Fatah tenta impor reformas. Em declarações ao «Washington Post» um dos líderes das Brigadas revelou que esta proposta surge na sequência do plano de Ariel Sharon em retirar os colonatos judeus da Faixa de Gaza.
De acordo com este líder os militantes querem participar no processo político e sobretudo mostrar que não são apenas «um grupo de combatentes que gosta de trocar tiros», por isso, mostram-se preparados para se sentarem à mesa das negociações e discutir soluções políticas.
O documento das Brigadas de Al-Aqsa apela também à separação de poderes entre Autoridade Palestina e a OLP, explicando que é inconcebível que ambas as organizações sejam lideradas pelo mesmo homem, Yasser Arafat.
O texto recomenda, ainda, a criação de um sistema judicial imparcial, liberdade de imprensa e uma sociedade democrática. Há também um apelo para a OLP que integre na organização todas as forças islâmicas e nacionais.
O porta-voz de Arafat já reagiu a este documento, tal como o primeiro-ministro israelita, Ariel Sharon, ambos desvalorizam as propostas das Brigadas de Al-Aqsa dizendo que não parecem sérias.
Opinião diferente tem o chefe de gabinete do primeiro-ministro palestino que considerou este documento muito importante porque prova que os militares estão realmente interessados em integrar a equipa política palestina.