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UE pode condenar torturas mas não EUA

 
Há uma parágrafo da declaração de Guadalajara que está a ser alvo de especial discussão. A União Europeia quer marcar uma posição sobre as torturas dos presos iraquianos mas sem condenar os Estados Unidos.

Mais de 50 chefes de Estado e de Governo, incluindo o primeiro-ministro português, Durão Barroso, participam em Guadalajara, na III Cimeira União Europeia/América Latina/Caraíbas, em que estarão em foco a coesão social e a cooperação.

A Declaração de Guadalajara, a aprovar durante a cimeira, incluirá uma condenação às torturas nas prisões do Iraque, indicaram fontes oficiais mexicanas. No entanto, a forma final do parágrafo já foi alvo de intensa reflexão nas reuniões prévias e não deverá condenar os Estados Unidos pelos actos.

Segundo o «El Mundo», a forma final do texto a incluir na Declaração de Guadalajara é «condenamos energicamente todas as formas de abuso, tortura e outros tratos cruéis, desumanos e degradantes contra as pessoas, incluindo prisioneiros de guerra, em qualquer lugar que ocorra».

Fidel não vai e deixa críticas

O presidente cubano, Fidel Castro, anunciou quinta-feira que não participará na cimeira, por considerar que se trata de «uma conferência despida de qualquer conteúdo», e acusou a União Europeia de «cumplicidade nos crimes e agressões dos Estados Unidos contra Cuba».

Também o presidente do Peru, Alejandro Toledo, comunicou que não se deslocará a Guadalajara devido aos protestos violentos que se registam desde há cerca de dois meses na cidade de Ilave, 900 quilómetros a sudeste da capital do país, Lima.

Apesar das críticas de Fidel Castro, a UE deverá apresentar em Guadalajara a iniciativa EUROsociAL, um programa para a América Latina que conta com uma dotação de cerca de 30 milhões de euros, proposto pela Comissão Europeia.

Com este programa quinquenal, a Comissão Europeia tenciona ajudar os países da América Latina a elaborarem e aplicarem políticas sociais que contribuam para reduzir o fosso entre ricos e pobres da região.

56 líderes mundiais

Com as anunciadas ausências de Fidel Castro e de Alejandro Toledo, são esperados na cimeira de Guadalajara 56 chefes de Estado e de Governo, incluindo os 25 que compõem a UE, assim como o presidente da Comissão Europeia, Romano Prodi.

Durão Barroso estará acompanhado pela ministra dos Negócios Estrangeiros, Teresa Gouveia, que inaugurou, na quinta-feira, a Cátedra José Saramago na Cidade do México.

Durão Barroso tinha agendada para esta altura uma visita oficial ao México, que adiou para depois do Verão para poder assistir à final da Liga dos Campeões entre o FC Porto e o Mónaco, realizada quarta-feira, na Alemanha.



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