O director-geral do Comité Internacional da Cruz Vermelha denunciou, quarta-feira, a presença de crianças entre os prisioneiros detidos na base norte-americana de Guantanamo, em Cuba.
De visita a Copenhaga, Gnaedinger declarou que o Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV) «está a conduzir negociações confidenciais de alto nível» com a administração norte-americana para decidir, nomeadamente, sobre o destino a dar às crianças encarceradas naquela base naval.
«Esperamos que o problema das crianças seja rapidamente resolvido», afirmou o director-geral do CICV. De acordo com a imprensa dinamarquesa, há crianças de 12 anos entre os prisioneiros.
O responsável da Cruz Vermelha Internacional apelou ainda «para o esclarecimento o mais rapidamente possível» da situação dos cerca de 600 prisioneiros de Guantanamo, detidos há quase dois anos sem julgamento.
«A situação deles deve ser esclarecida o mais rapidamente possível. Não se deve ficar na dúvida em relação ao seu futuro e à sua situação jurídica. Este vazio jurídico não é aceitável», declarou no final de uma reunião com os membros da comissão dos Negócios Estrangeiros do parlamento dinamarquês.
Convenção de Genebra deve ser respeitada
A administração norte-americana considera que os prisioneiros em Guantanamo, originários de 42 países, não têm o estatuto de prisioneiros de guerra, consagrado pela Convenção de Genebra, e que podem ser mantidos em detenção prolongada sem marcação de data para julgamento.
A maioria dos detidos de Guantanamo foi capturada durante a campanha militar do Afeganistão que se seguiu aos atentados de 11 de Setembro de 2001, nos Estados Unidos.
Inquirido numa conferência de imprensa sobre as condições de detenção naquela base militar norte-americana, Gnaedinger recusou-se a «comentar publicamente» a questão, que «constitui um dos pontos confidenciais levantados junto das autoridades norte-americanas».
Os Estados Unidos são «directamente responsáveis pela integridade e bem-estar dos prisioneiros. Mas é claro que de acordo com o artigo 1 da Convenção de Genebra, cabe também aos 191 países signatários respeitar e fazer respeitar a Convenção», disse Gnaedinger.