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Ministro demite directora por causa de cartaz «jocoso»

A directora do Centro de Saúde de Vieira do Minho, Maria Celeste Cardoso, foi exonerada pelo ministro da Saúde por não ter retirado um cartaz que estava exposto nas instalações do centro com declarações de Correia de Campos «em termos jocosos».

O ministro Correia de Campos considera que o cartaz procurava atingi-lo em termos «jocosos» e o despacho de exoneração da licenciada Maria Celeste Vilela Fernandes Cardoso foi publicado quinta-feira em Diário da República.

No despacho do Diário da República pode ler-se o seguinte: «Pelo despacho (...) do Ministro da Saúde, de 05 de Janeiro, foi exonerada do cargo de directora do Centro de Saúde de Vieira do Minho a licenciada Maria Celeste Vilela Fernandes Cardoso, com efeitos à data do despacho, por não ter tomado medidas relativas à afixação, nas instalações daquele Centro de Saúde, de um cartaz que utilizava declarações do Ministro da Saúde em termos jocosos, procurando atingi-lo», refere-se.

A directora de Vieira do Minho foi exonerada, em Janeiro, pelo ministro da Saúde, Correia de Campos, por não ter retirado uma fotocópia de um artigo de jornal colocado por um médico nas instalações do centro.

O artigo de jornal transcrevia declarações de Correia de Campos em que dizia que nunca tinha ido a um SAP (Serviço de Atendimento Permanente).

Um médico do centro de saúde ampliou o artigo e acrescentou-lhe a frase: «Façam como o ministro, não venham ao SAP», colando-o depois numa parede das instalações.

Perante este caso, considera-se demonstrado a situação de Maria Celeste Cardoso «não reunir as condições para garantir a observação das orientações superiormente fixadas para a prossecução e implementação das políticas desenvolvidas pelo Ministério da Saúde».

Manuel Alegre fala em «reacção desproporcionada»

O caso está a originar polémica na Assembleia da República, mesmo entre deputados do Partido Socialista.

Em declarações aos jornalistas, o ex-candidato presidencial Manuel Alegre disse ter lido o despacho publicado no Diário da República, classificando-o como «confuso» e sem «um português claro».

«Em todo o caso, penso que se está perante uma reacção desproporcionada e pouco conforme com a tradição de tolerância e de espírito crítico dos socialistas», declarou Manuel Alegre.

Segundo o deputado socialista, pelo despacho, «é difícil perceber-se o que se terá passado no Centro de Saúde de Vieira do Minho».

«Mesmo assim, por causa de um cartaz afixado num centro de saúde uma pessoa ser exonerada, penso que se trata de uma decisão desproporcionada e pouco conforme com o espírito de tolerância», disse.



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