A Quercus considerou, esta sexta-feira, a construção de um novo aeroporto em Alcochete «praticamente inviável», contrariando o coordenador do estudo sobre o ordenamento do aeroporto da Ota. Para a associação ambientalista, a Margem Sul deve ser a última hipótese a considerar.
A Quercus considerou, esta sexta-feira, a construção de um novo aeroporto em Alcochete, na margem Sul, «praticamente inviável», devido ao ordenamento do território e à proximidade das reservas naturais do Sado e Tejo.
A ideia tinha sido defendida por Augusto Mateus, coordenador do estudo sobre o ordenamento do futuro aeroporto da Ota, para quem Alcochete é uma solução mais flexível para a construção do futuro aeroporto internacional de Lisboa, podendo entrar em funcionamento mais rapidamente que em Ota.
Numa entrevista publicada esta sexta-feira no Semanário Económico, o antigo ministro socialista da Economia defendeu que a construção do aeroporto em Ota é possível, mas apresenta muitas limitações, sobretudo aos níveis de orografia e de ordenamento do território.
Em declarações à TSF, Francisco Ferreira da Quercus disse que a opção Alcochete não foi inviabilizada, mas as características do local não ajudam à construção do novo aeroporto.
A opção Alcochete «é praticamente inviável, na medida em que é uma zona adjacente a duas áreas protegidas importantes», nomeadamente «a zona de protecção especial do Tejo a norte e a sul» e a oeste «a reserva natural do Estuário do Tejo, que é uma das dez zonas húmidas mais importantes da Europa», disse.
Para a associação ambientalista, o próprio campo de tiro onde se pensa instalar o futuro aeroporto, «por restrições ambientais, tem um conjunto de praticas de restrição de tiro nas épocas de nidificação».
Francisco Ferreira sublinhou que a própria existência do campo de tiro naquele local contribui para que «muitos dos aspectos naturais naquela zona possam ser valorizados, por não haver uma ocupação doutro tipo naquela área».
A Quercus considera mesmo que a Margem Sul deve ser a última hipótese a considerar para a construção do novo aeroporto, por questões ambientais e de ordenamento do território.