O Centro Paroquial de Nossa Senhora da Anunciada, em Setúbal, mandou distribuir por quatro infantários que dirige mais de 850 cartas que foram colocadas nas mochilas das crianças, apelando ao voto contra o aborto. Educadores e pais mostraram-se surpreendidos com o teor da carta.
O Centro Paroquial de Nossa Senhora da Anunciada, em Setúbal, fez distribuir por quatro infantários que dirige mais de 850 cartas que foram colocadas nas mochilas das crianças, apelando ao voto contra o aborto.
No mesmo envelope, seguia um outro documento que chocou também alguns pais, do qual constava um pretenso feto abortado.
Em declarações à TSF, o padre Miguel Alves, da direcção destes jardins de infância, disse não entender o motivo da polémica.
«Não me parece haver motivo para indignação, acho que deve ser má vontade. Trata-se de uma carta dirigida aos pais, não existindo nada de extraordinário», revelou.
Na carta, divulgada esta quinta-feira pelo jornal «Diário de Notícias», pode ler-se: «Mãe, como foste capaz de me matar?... Como consentiste que me cortassem aos bocados e me atirassem para um balde?...»
Questionado sobre o conteúdo destes excertos, o padre respondeu de forma lacónica, reiterando que a carta foi dirigida aos pais, pelo que, no seu entender, nada há de «anormal».
Num e-mail enviado à TSF, a mãe de uma das crianças disse ter ficado «chocada, indignada e revoltada» com o conteúdo desta carta.
Por seu lado, a educadora Ana Isabel Ricardo, do Infantário o Aquário, revelou que se limitou a colocar o envelope na mochila das crianças a pedido da direcção do infantário.
Até ao momento, tanto a Direcção Regional de Educação de Lisboa como a Segurança Social ainda não comentaram o caso.