Helena Roseta defende que José Sócrates não deveria fazer «apenas um relatório das actividades do Governo» nos jantares em que tem apresentado a moção que levará ao Congresso do PS. A deputada socialista diz que os jantares só são bons para as campanhas eleitorais.
Helena Roseta entende que José Sócrates deveria aproveitar os jantares que tem tido com os militantes socialistas, onde tem apresentado a moção que levará ao Congresso do PS, para discutir ideias e pontos de vista e não fazer «apenas um relatório das actividades do Governo».
«Tenho muita pena que o nosso secretário-geral tenha como maneira de apresentar a sua moção aqueles mega-jantares onde não há debate. Acho que estes são importantes em campanhas eleitorais porque dão uma impressão de força, mas para um congresso não parece que seja a melhor solução», explicou a deputada socialista.
Num debate na Federação Distrital de Setúbal do PS, a primeira subscritora da moção «Solidariedade e Cidadania», criticou as ausências dos primeiros subscritores das outras duas moções do congresso e o facto de o debate onde participou ser o único de que tem conhecimento.
Durante a sua intervenção, Helena Roseta defendeu que deveria haver mais «democracia participativa» e mais «solidariedade» no partido, apelando a aos militantes para intervirem se entenderem que os sacrifícios pedidos pelo Governo estão a ser mal distribuídos.
Neste debate, coube a Luís Gonelha defender a moção de José Sócrates, que, na opinião deste socialista, tem como grande desafio para o congresso revelar o rumo do PS não para os próximos dois anos, mas para os próximos quatro.
Por seu turno, Sebastião Lima Rego fez a defesa da moção «PS: As Pessoas no Centro das Políticas», cujo primeiro subscritor é o presidente da Comissão de Desenvolvimento Regional da Região de Lisboa e Vale do Tejo, Fonseca Ferreira.
Este militante socialista defendeu que o partido deve avançar para a regionalização para combater o centralismo e pediu ao Governo que continue com as reformas que está a fazer na educação, saúde, segurança social e, em particular, na justiça.
«As pessoas sentem-se defraudadas porque a corrupção é hoje sentida por todos e já não é apenas corrupção de vão de escada. A grande corrupção campeia em Portugal», concluiu Sebastião Lima Rego.