O secretário-geral do PCP reiterou que as políticas seguidas pelo PS pouco diferem das de outros Executivos de direita. No encerramento da Festa do Avante!, Jerónimo de Sousa criticou o envio de tropas portuguesas para o Líbano e confirmou que será apresentado novo projecto para a despenalização do aborto.
O secretário-geral do PCP considerou que as políticas seguidas pelo actual Executivo do PS são semelhantes aos de anteriores governos de direita, tendo exortado os militantes socialistas a repensarem a sua opção política.
«Não há receitas de oratória capazes de transformar a política de direita do PS em politica de esquerda», afirmou Jerónimo de Sousa, no encerramento da Festa do Avante!, que acusou José Sócrates de defender os interesses do «grande capital».
Num discurso de mais de hora e meia, o líder comunista aproveitou para criticar o envio de soldados portugueses para o Líbano, dado que considera que a força que a ONU vai estacionar na região não é uma verdadeira força de paz.
«Exigimos uma inversão na política externa portuguesa, uma inversão que termine com a vergonhosa subserviência aos ditames das grandes potências bem patentes nas autorizações dos aviões da CIA e dos voos israelitas que usaram território nacional para alimentar a máquina de guerra israelita», continuou.
Jerónimo de Sousa aproveitou ainda para confirmar que vai apresentar no parlamento um novo de projecto para a despenalização do aborto «por razões de saúde, liberdade e justiça».
Sobre o próximo Procurador-geral da República, o líder do PCP aconselhou o Governo e o Presidente da República a não escolherem alguém que «fique refém da estratégia partidária comprometendo a estabilidade deste órgão de Estado e própria autonomia do Ministério Público».
No seu discurso feito na Quinta da Atalaia, no Seixal, Jerónimo de Sousa prometeu ainda estar por detrás de um projecto de lei que visa a valorização do Salário Mínimo Nacional, tendo criticando ao mesmo tempo a política para a Segurança Social apoiada pelo Governo.
«Transformando o aumento da esperança média de vida num pretexto para a sua campanha alarmista em torno do futuro da Segurança Social, o Governo PS quer aumentar as contribuições dos trabalhadores para a Segurança Social e impor o prolongamento do seu tempo de trabalho», denunciou.
O líder do PCP criticou ainda a atitude do Governo perante as «pequenas oscilações no índice do desemprego», considerando que este está a agir como «se o desemprego deixasse de ser preocupante».
Jerónimo de Sousa não se coibiu ainda de criticar a política do Executivo liderado por José Sócrates em várias áreas, desde a educação até à justiça, passando pela educação, entendendo que a estratégia do PS está refém» dos interesses dos grupos económicos.
No seu discurso, o líder do PCP não esqueceu ainda a doença de Fidel Castro, tendo desejado as «prontas melhoras» ao presidente cubano.