O porta-voz do PS, Vitalino Canas, presente no encerramento do congresso extraordinário do CDS-PP, disse este domingo esperar que o partido não desapareça, fazendo votos para que os democratas-cristãos superem a «instabilidade» interna.
Vitalino Canas falava à hora em que deveria terminar o Congresso do CDS-PP, a decorrer na Batalha, mas que, devido a sucessivos atrasos, ainda se contabilizavam os votos para os órgãos nacionais do partido.
O dirigente do PS justificou o seu comentário antecipado com a necessidade de abandonar o local e não precisou de esperar pela divulgação oficial dos resultados, nem pelo discurso do presidente do CDS-PP para considerar que o partido demonstrou «instabilidade».
«O que se verifica neste congresso é uma situação de grande fracção entre várias correntes, de alguma instabilidade. Olhamos com algum receio o facto de um partido estruturante da democracia portuguesa estar com as dificuldades em que está», declarou.
«Gostaríamos de deixar votos para que esta situação de instabilidade possa ser superada pelo CDS-PP, para que não desapareça um partido importante, o que para alguns comentadores começa a pôr-se em causa, e que seria muito mau para a democracia», completou Vitalino Canas.
O deputado socialista referiu-se ainda às críticas feitas pelos democratas-cristãos ao executivo do PS como a «vertente de ataque ao Governo natural em congressos» da oposição, mas que considerou não terem tido «grande sentido».
Em resposta aos comentários de Vitalino Canas, sobretudo à
advertência para a extinção do CDS-PP, o democrata-cristão Pires de Lima afirmou que o porta-voz socialista «ainda está traumatizado com a forma como foi gerida a questão presidencial no PS».