Jorge Sampaio passou apenas meia-hora no concelho de Nelas evitando o centro da vila, onde poderiam estar habitantes de Canas de Senhorim. A visita de Sampaio foi alterada à última hora, apesar de apenas alguns colaboradores saberem onde chefe de Estado iria estar.
O Presidente da República esteve apenas cerca de meia-hora no concelho de Nelas visitando apenas uma fábrica a cerca de dois quilómetros da vila, antes de se deslocar para o município de Penalva do Castelo.
Perante a possibilidade de confrontos com a população de Canas de Senhorim, que pretende separar-se de Nelas, o programa de Sampaio foi mesmo alterado à última hora apesar de este ser apenas conhecido de um restrito número de colaboradores.
Sampaio deveria ter visitado o Centro de Estudos Vitivinícolas, contudo, acabou por se deslocar apenas a uma empresa Coldkeep Ibérica, no Parque Industrial da cidade.
Na sua intervenção, Sampaio saudou a eleição da presidente da autarquia «como um momento de esperança para a coesão do território de que é composto o concelho de Nelas».
No curto minuto que dedicou ao problema de Canas de Senhorim, o chefe de Estado adiantou ainda que acompanhou a matéria desde 1998 «com particular atenção».
«Estou em condições excelentes para poder dizer que no momento em que em todo o país e, nomeadamente por parte do Governo, se procurara reestruturar e reagrupar freguesias e porventura chegar aos concelhos, apenas digo que a população deste concelho sem nenhuma excepção contará com certeza com a sua nova câmara para organizadamente desenvolver o seu território sem exclusões», explicou.
A presidente da câmara local Isaura Pedro admitiu que teria de recorrer ao improviso, dado que tinha orientado o seu discurso para outra matéria.
Sinos a rebate em Canas
Enquanto, Sampaio visitava a fábrica do Parque Industrial de Nelas, a poucos quilómetros, em Canas de Senhorim cumpria-se um minuto de silêncio e os sinos da igreja local tocavam a rebate.
Em declarações à TSF, Luís Pinheiro, do movimento que exige a elevação de Canas de Senhorim a concelho, classificou esta visita «foi passeio para humilhar» a população, admitindo que não foi fácil convencer a população a não seguir para Nelas.
«Não fomos a Nelas porque o sentimento de indignação dos canenses era tão forte que tenho a certeza de que íamos passar mal e o senhor presidente ia passar por vítima», explicou.
Luís Pinheiro considerou que Sampaio está «comprometido» com Canas de Senhorim que foi «longe demais» nesta visita.
«Apelou-se ao senhor Presidente para que não viesse cá que efectivamente isto era complicado e a ia criar um clima destabilização», concluiu.
A população de Canas de Senhorim entende que Jorge Sampaio impediu a concretização do sonho da freguesia ao chumbar a lei-quadro de criação de novas munícipios em 2003.