Mário Soares deixou esta terça-feira de manhã, na TSF, um sinal de grande confiança de que vai passar à segunda volta das presidenciais e depois eleito para a presidência da República. O candidato apoiado pelo PS acusou ainda a comunicação social de concertar um apoio a Cavaco SIlva.
Dando o exemplo de uma conversa antiga que manteve com o ex-presidente francês François Mitterrand, o candidato apoiado pelo PS disse que a vitória está perfeitamente ao seu alcance.
«Mitterrand disse-me (nas últimas eleições presidenciais em que participou): "Não é fácil mas é possível"», recordou Mário Soares citando o ex-presidente francês, «e de facto venceu, ainda que por pouco».
«Eu também acho que (estas presidenciais) vão ser difíceis mas que (a vitória) é possível», afirmou Mário Soares à TSF.
«Cavaco Silva tem vindo a perder votos e acho que na primeira volta não vai conseguir ganhar. Se assim for, à segunda volta vai perder porque é logo um sinal de derrota», salientou o ex-presidente da República.
Quanto a Manuel Alegre, o candidato preferiu não fazer comentários limitando-se a afirmar que Alegre apenas está «obcecado» com o seu adversário socialista, ou seja, com o próprio Mário Soares.
Durante a entrevista, o candidato apoiado pelo PS fez ainda várias críticas à comunicação social, embora tenha fugido a criticar directamente os jornalistas.
Imprensa «combinou» apoio a Cavaco
Mário Soares apontou o dedo à comunicação social por não ter dado o devido destaque às propostas que apresentou segunda-feira sobre a forma como tenciona exercer o mandato de Presidente da República, se for eleito para o cargo pela terceira vez.
No final da entrevista, Mário Soares acusou alguns grupos de comunicação social de terem «combinado» apoiar a candidatura presidencial de Cavaco Silva, mas apenas baseou essa ideia como um resultado da sua simples «observação» face à cobertura jornalística da campanha.
«Os grupos de comunicação social - não direi todos - meteram na cabeça deles que deveriam apoiar Cavaco Silva. E isso foi combinado», declarou, advertindo que, «mais tarde, jovens investigadores irão estudar o que se está a passar nesta campanha».