Cavaco Silva recusou, esta quinta-feira, que o Presidente da República possa ser «apenas um ouvidor» e prometeu que, se for eleito chefe de Estado, vai estar «muito atento» à actividade do Governo. Sobre as críticas que lhe foram dirigidas por Mário Soares, quarta-feira, o ex-primeiro-ministro escusou-se a fazer quaisquer comentários.
«Um Presidente da República não pode ser apenas um moderador, um ouvidor, um árbitro a apelar ao diálogo. Exige-se mais ao Presidente da República», afirmou Cavaco Silva, numa conferência organizada pela Federação Académica da Universidade de Lisboa, num recado claro a Mário Soares.
O candidato apoiado pelo PS a Presidente da República tem utilizado a expressão «ouvidor» para definir aquele que entende ser o papel presidencial.
No entanto, Cavaco Silva defendeu que o Chefe de Estado deve ser «ele próprio um agente de desenvolvimento», através de uma «cooperação estratégica com os outros órgãos de soberania: Assembleia da República e Governo».
«Eu, se for eleito, estarei muito atento à actividade do Governo», prometeu Cavaco Silva, apesar de reiterar que não são «os poderes negativos» do Presidente da República (dissolução do Parlamento ou veto de leis) que mobilizaram a sua candidatura.
Apesar de a sua intervenção estar recheada de respostas indirectas a Mário Soares, Cavaco Silva recusou fazer qualquer comentário sobre as críticas que lhe foram dirigidas quarta-feira pelo ex-Presidente da República numa entrevista à TVI.
«Deixo ao juízo e à apreciação dos portugueses. Não faço qualquer comentário», repetiu várias vezes, perante a insistência dos jornalistas.