Mário Soares vê o «não» francês com preocupação, pois a Europa ficará parada, enquanto outros países avançarão. Já Pacheco Pereira entende que a Constituição traria apenas uma «falsa solução» a alguns problemas europeus.
Mário Soares considerou o «não» francês à Constituição Europeia como um revés «que terá consequências graves e imprevisíveis» até porque outros países como a China, os EUA, a Índia e o Brasil estão a avançar «num ritmo cada vez mais intenso».
Em declarações no Fórum TSF, o ex-primeiro-ministro e Presidente da República entende que o resultado do referendo de domingo implica uma «paragem de vários meses, em que a União Europeia vai ficar concentrada sobre ela própria».
Já Pacheco Pereira entende que a recusa francesa não provocou qualquer tipo de catástrofe e que o importante agora é avançar para a renegociação do Tratado Constitucional.
«O tempo que se perdeu já estava a ser perdido antes da Constituição, porque esta geração de governantes na Europa já estava a perder tempo há muito tempo, pois não se entendem no financiamento da União, na revisão da PAC e em matéria de política externa», recordou o social-democrata apoiante do «não».
Pacheco Pereira, que defende a renegociação do tratado, considerou ainda que a Constituição Europeia para além de não resolver estes problemas ainda vinha dar uma «falsa solução» para estes.
Tal como Pacheco Pereira, o constitucionalista Jorge Miranda entende que a renegociação da Constituição pode ser um caminho a seguir, já que o actual tratado não deve ter grandes hipóteses de seguir o seu caminho.
«O Tratado tal como foi assinado em Roma, em Novembro, tal como resultou da Convenção presidida por Giscard d'Estaing, esse podemos dizer que está, não numa situação de morte, mas numa fase de quase-morte», acrescentou.