Paulo Portas foi recebido, este sábado, com uma chuva de aplausos pelos congressistas do CDS-PP. No seu discurso, o ex-líder democrata-cristão voltou a responsabilizar o presidente da República, Durão Barroso e a comunicação social pela derrota da direita nas eleições legislativas.
«Raramente durante um mandato, o Presidente da República decide politicamente, mas quando decide escolhe o seu lado. Não foi por acaso que o presidente escolheu o melhor momento para a esquerda para convocar eleições: foi a esquerda que o elegeu», acusou Paulo Portas.
«Tenham por isso sempre presente que a eleição do Presidente da República é mais importante do que parece», acrescentou num alerta para as próximas eleições presidenciais.
O líder cessante do CDS-PP, Paulo Portas, acusou também Durão Barroso de ter quebrado «o contrato de confiança» entre a maioria e os eleitores no dia em que aceitou abandonar o Governo para presidir à Comissão Europeia.
«Hoje podemos dizê-lo: eu creio que o contrato de confiança
entre o povo e a maioria caducou nesse dia», afirmou Paulo Portas no discurso de abertura do XX Congresso do CDS-PP.
Criticas à comunicação social
No discurso do XX Congresso demorata-cristão, Paulo Portas responsabilizou ainda a comunicação social pelo resultado das legislativas de 20 de Fevereiro. O ex-líder do CDS-PP alertou para o facto dos meios de comunicação não tratarem a direita e o centro com «equidade».
Portas ridicularizou o destaque dado pela comunicação social às personalidades de esquerda, dando como exemplo as declarações feitas por Mário Soares em relação à eleição do papa Bento XVI.
Criticando as «pessoas que foram ouvidas» e o preconceito dos media em relação ao papa Bento XVI, o cardeal alemão Joseph Ratzinger. «Cheguei a ouvir», disse Paulo Portas, «o doutor Mário Soares a dizer que estava muito maçado porque queria outro papa».
No dia em que Ratzinger foi eleito, Mário Soares, questionado pelos jornalistas, disse estar «desiludido» com o cardeal escolhido para o novo pontificado.
«Não tenham medo»
Fazer do CDS um dos três partidos de Governo em Portugal foi a principal herança reclamada por Portas, argumentando que, com mais um por cento dos votos que obteve nas legislativas (7,3 por cento), o CDS pode ser, como aconteceu em 2002 com a coligação com o PSD, indispensável a uma solução governativa.
«Não tenham medo!», disse Portas aos congressistas,
recuperando uma frase do anterior Papa João Paulo II, dirigida aos países comunistas, numa das várias referências que fez ao antigo Sumo Pontífice.
A terminar, Portas despediu-se com um até sempre: «quando me perguntam se este afastamente é um adeus, eu digo: certamente não é um 'até amanhã camaradas', mas é certamente um 'até sempre'. Contem comigo».