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Sócrates deve «corrigir pensamento» de Freitas

Paulo Portas recordou algumas das declarações feitas por Freitas do Amaral nos últimos anos. O líder demissionário do CDS-PP defendeu que Portugal só pode ter uma política externa coerente se o primeiro-ministro estiver atento.

 

 

«Portugal só terá uma política externa sóbria, profissional e coerente, se vossa excelência senhor primeiro-ministro corrigir o pensamento de quem ocupa a pasta dos Negócios Estrangeiros», disse Paulo Portas, na sua primeira intervenção enquanto deputado.

«Já o fez uma vez no discurso de posse quando veio confirmar o óbvio e evidente a amizade com os Estados Unidos, a importância do vínculo transatlântico e se sublinhou o evidente é porque havia um esclarecimento a dar, que não tinha a ver com as suas opiniões, mas de quem ocupa a pasta dos Negócios Estrangeiros», acrescentou.

Paulo Portas recordou que Freitas do Amaral «há três meses» se manifestou contra a participação de Portugal em operações militares fora da CPLP.

«Estas afirmações não são de Jerónimo de Sousa, não são de Francisco Louçã, mas de quem ocupa a pasta dos Negócios Estrangeiros», adiantou Paulo Portas durante o debate do programa do Governo no Parlamento, perguntando a José Sócrates se «as opiniões de Freitas do Amaral vão passar a ser doutrina».

Em resposta, o primeiro-ministro disse que não precisa de «corrigir» nenhuma posição do ministro dos Negócios Estrangeiros, porque partilha com ele «a ideia de estruturar a política externa e de defesa com base na defesa do direito internacional».

«Lamento, mas não deu nenhum contributo para o consenso à volta da política externa e de defesa. A chicana pessoal, o ataque pessoal que fez é injusto e é despropositado», criticou José Sócrates.

«Quem terminou com décadas de consenso à volta da política externa e de defesa foi o anterior governo, quando tomou decisões contra o direito internacional, pondo em causa a unidade europeia e o prestígio das instituições internacionais que velam pela aplicação desse direito», acrescentou o primeiro-ministro.

«O consenso, que é uma tradição da política portuguesa, foi interrompido por uma decisão injusta e errada do anterior governo», insistiu Sócrates, perante os risos de Paulo Portas.



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