António Vitorino recusou integrar o Governo socialista porque não gostou de ser ministro e prefere servir o país como deputado. Estas são apenas algumas das muitas razões evocadas pelo antigo comissário europeu, numa entrevista ao Diário Económico.
António Vitorino sempre esteve fora da lista de ministeriáveis por decisão própria e não por decisão de José Sócrates. Em entrevista ao jornal «Diário Económico», o antigo Comissário Europeu disse que a decisão foi tomada antes de serem conhecidos os resultados das eleições legislativas e explica porque razão não quis fazer parte do Governo PS.
Ao jornal, António Vitorino justifica que foram muitas as razões que o levaram a recusar pertencer ao executivo, a primeira delas pessoal.
«Não gostei de ser ministro, ninguém acredita mas é verdade. Foi uma experiência enriquecedora, mas não gostei. Prefiro servir o país como parlamentar», refere.
A ida para o Parlamento enquanto deputado também esteve em causa, explica o antigo comissário europeu, devido a um convite para assumir o posto de Alto Comissário para os Refugiados em Genebra.
Mas, também aqui, questões pessoais estiveram na origem da recusa deste convite. De acordo com António Vitorino, a família está cansada de "andar de casa em casa" e adianta que se fosse solteiro teria ocupado o cargo.
Apesar da recusa em fazer parte do Governo, ao ex-comissário não parece faltar oportunidades de emprego.
Questionado sobre a hipótese de vir a integrar um "conhecido escritório de advogados", o socialista afirmou que ainda não decidiu nada, apenas que vai ser deputado.
Em declarações ao jornal, o ex-bastonário da Ordem dos Advogados José Miguel Júdice disse que falou com António Vitorino quando este deixou o posto de Comissário em Bruxelas, para manifestar o interesse do seu escritório em contar com ele.
Manuel Castelo Branco, de um outro escritório de advogados, também manifestou igual interesse, por considerar que «António Vitorino está para a advocacia como Cristiano Ronaldo está para o futebol».
António Vitorino garantiu, ainda, que não é candidato a candidato à Presidência da República e que tenciona terminar um livro sobre justiça.