No final dos trabalhos do Conselho Nacional do PSD, Santana Lopes, explicou o motivo de ter proposto ao Conselho de Jurisdição Nacional a avaliação do comportamento negativo de alguns militantes durante a campanha.
Santana Lopes diz que não se trata de nenhuma atitude persecutória, mas considera que as regras actuais são difusas e por isso propôs que se apliquem regras mais claras.
«O Conselho de Jurisdição Nacional deve clarificar se comportamentos como os que existiram durante esta campanha são possíveis na vida do PPD-PSD», adiantou.
Santana Lopes não quis referir ninguém em concreto que tenha tido, na sua opinião, uma má atitude.
O líder demissionário adianta que prefere não entrar em polémicas e apenas diz que não faz sentido filiados no partido terem criticado durante todos os dias da campanha eleitoral a proposta e os candidatos sociais-democratas.
«Se o PPD-PSD tivesse tido como o CDS ou o PS todos os militantes, todos os ex-líderes, unidos a fazer campanha à volta de quem se candidatou o resultado teriam sido um pouco melhor», afirmou.
Quanto ao futuro, Santana Lopes diz que ainda não tomou nenhuma decisão, lembrando que assim que o Governo tome posse, terá que assumir o lugar como deputado ou regressar à Câmara Municipal de Lisboa, cargo para o qual foi eleito.
Santana activo politicamente
Santana Lopes promete não abandonar a vida política.
«Lembro-me de ter ouvido muitas vezes que estava politicamente morto, isto foi em 1981, porque era protegido de Sá Carneiro, o dr Sá Carneiro morreu e portanto acharam que estava politicamente morto, o dr Marcelo Rebelo de Sousa disse-o numa entrevista ao Expresso depois do Congresso de Santa Maria da Feira», referiu.
«Cá continuamos», acrescentou Santana Lopes, adiantando que agora precisa de descansar para depois decidir o que vai fazer ao nível político.
Santana Lopes reafirmou ainda, este sábado, que não vai ter qualquer interferência no processo de sucessão, limitando-se a desejar boa sorte ao nome que vier a ocupar o lugar que vai exercer até ao dia do Congresso extraordinário do PSD, marcado para os dias 8, 9 e 10 de Abril, em Pombal.
Críticas de Santana a Paulo Portas
O Conselho Nacional ficou ainda marcado pelas críticas indirectas de Santana Lopes a Paulo Portas.
Santana Lopes estabeleceu uma diferença entre o PSD e o CDS em termos de funcionamento interno, depois de lembrar que tomou a decisão de se afastar da liderança dos sociais-democratas 48 horas após a noite eleitoral do passado domingo.
«Tomei a decisão de não me recandidatar e essa decisão no PSD é irreversível, porque aparecem logo candidatos à sucessão. Em outros partidos pode não ser assim», disse.
O líder demissionário dos sociais-democratas referiu ainda «uma tentativa do CDS-PP para alterar a relação de forças» com o PSD.
«A relação de forças entre o PSD e o CDS-PP continua de cinco para um», sustentou.
Na perspectiva de Pedro Santana Lopes, terá sido o objectivo do CDS-PP de alterar a relação de forças com o PSD que terá estado na origem da decisão do partido ainda liderado por Paulo Portas no sentido de não aceitar concorrer em coligação às legislativas do passado dia 20.