A TSF revela alguns dos segredos da campanha eleitoral que conduziu José Sócrates à chefia do Governo. Luís Paixão Martins foi o responsável pelo marketing eleitoral do PS.
As propostas e ideias da campanha socialista não apareceram a público nos cartazes ou na boca de José Sócrates sem antes terem sido testadas em sondagens e grupos de testes, num trabalho de pesquisa de opinião pública.
«Começámos por fazer esta investigação, depois criámos argumentos, imagens e peças de comunicação que foram sendo testadas em "focus group", em painéis de cidadãos que foram sendo confrontados com ideias e que ajudaram de algum modo a fazer uma certa arbitragem», explicou Luís Paixão Martins, responsável de marketing da campanha eleitoral do PS.
Altamente profissionalizada, como o próprio Luís Paixão Martins reconhece, a aposta socialista representou um forte investimento.
«O PS e a direcção da campanha dotaram-nos de todos os meios que eram necessários para estarmos permanentemente a fazer um acompanhamento das consequências do nosso trabalho», adiantou.
Luís Paixão Martins diz que as insinuações de Santana Lopes sobre as orientações sexuais de Sócrates funcionaram contra o candidato do PSD.
«Quando um dos concorrentes institucionalizou na campanha a questão que estava no boato proporcionou-nos mais uma oportunidade para sublinharmos a questão da credibilidade», acrescentou.
Uma nota final é revelada à TSF por Luis Paixão Martins. Nos estudos de opinião o desemprego apareceu destacado como a grande prioridade, enquanto uma questão como a justiça foi remetida para segundo plano.
Aliás os portugueses não querem as tão faladas reformas políticas se elas trouxerem instabilidade à sua vida.