O secretário-geral do PCP defende a revisão do Pacto de Estabilidade e Crescimento para que, nos próximos anos, o défice de Portugal possa ultrapassar o actual limite de três por cento do PIB. Jerónimo de Sousa criticou ainda as promessas de Sócrates quanto ao aumento do emprego.
«O PEC deve ser revisto tendo em conta a questão da despesa de investimento, pois a economia portuguesa precisa de despesas orçamentais que possam ultrapassar os três por cento nos próximos anos como forma de estimular a produção, o emprego, o desenvolvimento», afirmou Jerónimo de Sousa.
Para o secretário-geral comunista, «o problema das finanças públicas não é um problema orçamental, é um problema da falta de investimento no aparelho produtivo».
O líder comunista desafiou ainda o secretário-geral do PS, José Sócrates, a explicar de que forma é que pretende recuperar 150 mil postos de trabalho, argumentando que tal promessa não poderá ser concretizada «sem o aumento do investimento no aparelho produtivo».
«Actualmente há quem dê um ousado passo quantificando esses empregos a criar. Por explicar fica a contabilização dos empregos a distribuir nos próximos quatro anos e por saber fica como e onde vão ser criados esses 150 mil postos de trabalho», afirmou.
Jerónimo de Sousa referia-se a declarações recentes do líder socialista, que prometeu recuperar 150 mil postos de trabalho perdidos nos últimos três anos dos governos PSD/CDS-PP, se vencer as eleições de 20 de Fevereiro.
O líder comunista falava em Lisboa no intervalo de uma reunião com especialistas do PCP em economia, no âmbito da preparação do programa eleitoral, em que participaram o ex-secretário-geral Carlos Carvalhas e o ex-líder parlamentar comunista Octávio Teixeira.