O Ministério da Educação admite que foram erros inesperados que levaram à retirada das listas de colocação de professores, divulgadas esta madrugada na Internet. Perante este cenário, o PS pede calma, o PCP equaciona a demissão da ministra e o BE fala em «incompetência». O PSD também quer ver esclarecida toda a situação.
O gabinete da ministra Maria do Carmo Seabra não explicou ainda que erros em concreto se verificaram e não arrisca avançar uma data para a nova publicação das listas de colocação de professores.
O porta-voz do Ministério da Educação, Francisco Mendia, afirma que as falhas detectadas estão a ser corrigidas.
«A empresa que é responsável pelo programa de colocação dos professores voltou a não apresentar uma lista que estivesse em condições. Quando a senhora ministra soube o que se estava a passar, mandou retirar as listas da Internet», explicou.
O porta-voz adiantou ainda que «o programa está a correr novamente e os problemas que existiam estão a ser corrigidos. Tudo funciona como um dómino, um professor que seja afectado com uma falha atinge os outros todos logo a seguir».
O responsável garantiu que nas próximas horas a ministra da Educação, Maria do Carmo Seabra, vai fazer uma comunicação ao país sobre este caso.
Reacções da Oposição
Perante este cenário, o PS recomenda calma. O deputado Augusto Santos Silva recomenda medidas de excepção para que os professores possam ser colocados nas respectivas escolas.
«O Ministério da Educação devia declarar estado de emergência, trabalhar 24 horas por dia, convocar as organizações sindicais para pedir auxílio, pode pedir o apoio de pessoas com experiência profissional ou política na área», salientou o socialista.
Sobre uma eventual demissão da responsável pela pasta, Augusto Santos Silva, considera que neste momento a prioridade deve ir para a resolução dos problemas com as listas de professores.
Mais duro é o líder do PCP, Carlos Carvalhos, que adiantou já ter avisado por diversas vezes que esta problemática podia acontecer.
Carlos Carvalhas considera que a ministra da Educação tem de tirar consequências políticas do que está a acontecer, que podem mesmo passar por uma «demissão pedagógica», embora esta atitude não possa apagar tudo o que está a acontecer.
Francisco Louçã, do BE, diz que as culpas não podem ser todas atribuídas ao sistema informático. Os erros nas listas de colocação de professores «relevam profunda e total incompetência», considera. O bloquista diz ainda que para resolver o problema vai ser necessária a coloboração dos sindicatos.
PSD não vai «encobrir» detalhes
O PSD diz que o atraso na colocação dos professores tem de ser totalmente explicado. O deputado social-democrata e coordenador da área da educação, Gonçalo Capitão, adianta que se trata de um problema muito sério e que o Governo não vai «encobrir» qualquer detalhe nesta questão.
«Todas as segmentações dos portugueses interassados em matéria de educação podem estar descansadíssimos que o PSD não vai tentar encobrir facto algum e os próprios deputados sociais-democratas vão estar seja no plenário ou em comissão a fazer as perguntas que tiverem de ser feitas», garantiu.
Quanto ao actual modemo de concurso, o deputado considera que tem algumas vantagens, mas sublinha que os erros que foram cometidos não podem voltar a ser repetidos.