Souto Moura não pôs o seu lugar à disposição, mas reconheceu que poderá sair do cargo assim que o Presidente da República ou o Governo assim o entendam. O Procurador-geral informou ainda que a sua assessora de imprensa pediu a demissão.
O Procurador-geral da República assegurou aos jornalistas que não pôs o seu lugar à disposição, mas informou que a sua assessora de imprensa pediu a «cessação de funções».
Souto Moura, que falou à margem da tomada de posse da nova Direcção Nacional da PJ, disse ainda que vai analisar o pedido da saída de Sara Pina, que terá prestado declarações ao jornalista do «Correio da Manhã», que viu as suas cassetes alegadamente roubadas e publicadas no «Independente».
«A assessora de imprensa é uma jornalista que tem prestado muito bom serviço à Procuradoria», afirmou o Procurador, que vincou que Sara Pina não integra o seu gabinete.
Sobre um alegado pedido para sair da Procuradoria, Souto Moura esclareceu ainda que não o fez, pois não considera que tenha feito algo de «profundamente errado» ou algo que o repugne».
«Esse momento ainda não chegou. Não faço tenções de pôr o meu lugar à disposição porque o meu lugar está todos os dias à disposição», disse Souto Moura.
O Procurador justificou esta afirmação lembrando que está consciente de que «quem de direito, o Presidente da República e o Governo, todos os dias» podem optar pelo seu afastamento.
Para Souto Moura, a Procuradoria «não está em causa» no caso das alegadas violações do segrego de justiça nas alegadas gravações que terão sido feitas pelo jornalista Octávio Lopes.
«O meu gabinete não tem a ver com isso», acrescentou Souto Moura, que recordou ainda que existe uma investigação em curso sobre o caso do alegado furto das gravações.
«Decorre uma investigação sobre o facto de se terem feito alegadas gravações de conversas telefónicas, o facto de alegadamente haver cassetes roubadas, o facto de ter havido transcrição supostamente dessas conversas e o facto de o conteúdo das conversas poder violar o segredo de justiça», explicou.
A terminar, o Procurador-geral garantiu que a «actuação da PGR é igual para todas as pessoas», relembrando que duas funcionárias do organismo foram alvos de processos-crime, estando uma delas em prisão preventiva.