Tal como na noite das eleições europeias, o secretário-geral do PCP, Carlos Carvalhas, voltou a defender a demissão do Governo, sublinhando que o PCP tudo fará, politicamente, para derrubar o Executivo antes de 2006.
Carvalhas pede ao Presidente da República, Jorge Sampaio, para que tire consequências políticas dos resultados eleitorais, em que a coligação PSD/CDS-PP perdeu as eleições para o PS.
O líder comunista entende que a derrota eleitoral retira legitimidade à coligação no Governo e afirma que o resultado da CDU foi positivo.
«Se o Governo quisesse tirar conclusões a sério destes resultados, perante esta 'banhada', como disse um comentador, devia tomar banho. Mas está agarrado ao poder, tem uma política de parceria com determinados interesses e não vai sair de mote próprio, mas pode ser empurrado pelo povo. Tudo faremos para que seja empurrado. Já está à porta e é preciso o empurrão final», afirmou Carlos Carvalhas.
O dirigente comunista garante que o PCP vai criar condições institucionais e políticas para que o Governo liderado por Durão Barroso seja derrubado antes de 2006, quando termina o mandato, apesar das posições que o PS assumiu.
«Pensamos que é errado ver este resultado [das Europeias] só como um cartão amarelo e esperar uma remodelação e uma mudança de política, quando o primeiro-ministro já disse que não haverá mudança de política no essencial. Vai haver é cosmética e sacrificar o povo português. Pela nossa parte, tudo faremos através da luta institucional e da iniciativa política para pôr fim a este Governo o mais depressa possível», continuou.
A nível parlamentar, o PCP quer alertar o PS e o BE para a necessidade de acabar com a política de direita da coligação, pedindo ainda ao chefe de Estado para que analise politicamente os resultados das eleições.
«O Presidente da República deverá retirar consequências políticas e seguramente que ouviu a voz do PCP, mas também do PS e do BE, que são as forças de oposição a este Governo», concluiu.