Depois dos sindicatos das forças de segurança e do SEF terem admitido convocar greves durante o Euro 2004, o ministro da Administração Interna admite recorrer à figura da requisição civil.
Figueiredo Lopes sublinha que há valores mais importantes que outros, como é o caso da segurança sobre as reivindicações sindicais.
«Não vamos enjeitar nenhuma possibilidade que o quadro de Direito em que vivemos nos oferece. Gostaria muito de ver o nome de Portugal honrado por todos e não ser aproveitado desta forma para criar dúvidas nos que pensam dirigir-se ao país e que deveriam vê-lo como um país com regras que funcionam», disse.
«Espero que isto não passe de um aproveitamento de oportunidade e há valores que devem ser preservados e que devem prevalecer sobre outros», sublinhou o ministro da Administração Interna, depois das ameaças de greve para um período em que se espera o aumento de entradas de turistas no país.
SEF considera declarações «irresponsáveis»
O presidente do sindicato dos inspectores do SEF considera que as afirmações de Figueiredo Lopes são «incompreensíveis» e «irresponsáveis» porque o recurso à requisição civil não é nada de novo e está previsto na lei.
Para Gonçalo Rodrigues, a responsabilidade da greve é do Governo, porque Figueiredo Lopes anda a prometer o pagamento das horas extraordinárias desde o ano passado.
Um argumento reforçado por um parecer da Procuradoria-Geral da República que legitima o direito ao pagamento das horas extraordinárias, lembrou o dirigente sindical.
PS e PCP dizem que Governo não deve fazer «ameaças»
O deputado socialista Vitalino Canas defende que o Governo devia dialogar, sublinhando que não seria «oportuno que qualquer força de segurança» protestasse durante o Euro 2004.
António Filipe, deputado do PCP, já declarou que o Governo não deve «ameaçar» com o recurso à requisição civil mas pagar o que tem dívida para com os inspectores do SEF.