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José Saramago apela ao voto em branco

 
O Nobel português da literatura vai candidatar-se ao Parlamento Europeu pelas listas da CDU. José Saramago admite que existe uma «contradição formal» devido ao apelo ao voto em branco e a sua candidatura, mas insiste que «é uma expressão de fidelidade».

 

 

José Saramago vai candidatar-se ao Parlamento Europeu nas listas das CDU por «fidelidade» ao PCP.

No entanto, o escritor confessou, segunda-feira à noite no auditório de Centro de Congressos de Lisboa que teria muito gozo se houvesse mais votos em branco nas próximas eleições, porque seria uma forma de protesto contra um sistema contestado pelo Nobel português.

Por seu lado, Mário Soares defendeu que a única forma de sair de uma má governação passa «pela via democrática» mas sem o recurso ao voto em branco preconizado na ficção de José Saramago.

Mário Soares acredita que o voto «é uma arma do povo» e que, segundo acredita o ex-presidente da República, vai ter o culminar nos Estados Unidos com a derrota de George W. Bush.

Num debate virado à esquerda Marcelo Rebelo de Sousa foi o único representante de direita e não escapou a uma provocação do Nobel da literatura.

Saramago afirmou que Marcelo Rebelo de Sousa tem «um gravíssimo problema de identidade, declara-se pessoa de direita e tem um discurso que a muitas pessoas de esquerda não lhe cairia nada mal».

«Ensaio sobre a Lucidez» é um romance apresentado pelo autor como «fábula, sátira e tragédia» que «não coloca em causa a democracia mas o sistema partidário, a política e os partidos».



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