O BE acusa Paulo Portas de ter mudado de convicções sobre o aborto à custa de meras questões de conveniência política. Francisco Louçã explicou que nos anos 80 o presidente do CDS-PP defendia o aborto.
O Bloco de Esquerda recuperou os artigos que Paulo Portas escreveu em 1982 no antigo jornal «O Tempo» nos quais actual ministro da Defesa descrevia Portugal como o país sub-desenvolvido quanto ao aborto por seguir exemplos moralistas europeus nesta matéria.
«Paulo Portas teve esta coluna num dos jornais mais importantes da direita portuguesa, durante um ano, por sucessivas vezes quis insistir na convicção profunda de que a questão do aborto era maltratada pela direita e que a solução francesa, ou seja, a despenalização completa devia ser adoptada», afirmou Francisco Louçã.
Nesta época Paulo Portas perto de 20 anos e havia saído recentemente da JSD. Nos artigos em causa fazia a comparação do aborto á pena de morte própria «dos mais conservadores dentro dos conservadores» e defendia a «laicização da sociedade política».
Francisco Louçã salientou excertos destes textos em que Paulo Portas usava a expressão «Cro-Magnon» para qualificar a forma como a questão do aborto era tratada em Portugal. Os bloquistas descrevem o dirigente com palavras duras.
«São políticos camaleónicos que se adaptam contra qualquer ideia, contra qualquer convicção, às conveniências de uma política fácil e em nome dessa facilidade, dessa fraude sem princípio nenhum, que as consciências dos deputados e deputadas são proibidos de se exercer e manifestar.»
Louçã fala em fraude política gigantesca
Francisco Louçã refere-se à disciplina de voto imposta pelos sociais-democratas e ao que considera ser uma fraude política gigantesca.
«Representa a explicitação da contradição em que está o PSD subordinado ao PP, o PP subordinado a Paulo Portas e este subordinado à sua incoerência absoluta ao longo da vida», acrescentou.
O Bloco diz ainda que mudar de opinião é possível e legítimo, mas no caso de Paulo Portas mudaram os valores morais.
«Era jovem e admito que tenha mudado de ideias», afirmou Louçã, questionado sobre se o actual ministro do Estado e da Defesa não teria o direito de ter alterado posição sobre este assunto.
«Mas de convicções profundas não se pode mudar. E Paulo Portas sempre disse na Assembleia da República que nunca mudou de convicções morais», acrescentou o dirigente do BE.