Portugal mantém «excelentes» relações de Defesa com os Estados Unidos e é um aliado «chave» na campanha no Iraque, considera o Departamento de Estado norte-americano num documento divulgado esta quarta-feira.
Nas suas últimas «notas de orientação» («background notes») sobre Portugal, o Departamento de Estado salienta o apoio que Lisboa dá às ligações entre a Europa e os Estados Unidos, «particularmente em questões de Defesa e Segurança».
O Departamento de Estado publica regularmente «notas de orientação» em que fornece aos seus funcionários e público informações sobre os diversos países do mundo.
No caso de Portugal, as notas agora publicadas fazem notar que o actual governo de «centro-direita» «comprometeu-se em (introduzir) austeridade no sector público e incentivos empresariais para promover o crescimento, o comércio e a produtividade».
«Os desafios a que faz face incluem o aumento do desemprego, cumprir os requisitos fiscais da zona do Euro e adaptar-se ao alargamento da União Europeia (UE) e da NATO», refere o documento de sete páginas.
«Desequilíbrio externo» e «grande défice»
Notando que desde que aderiu à Comunidade Europeia, em 1986, Portugal alcançou «progressos significativos» na elevação do seu nível de vida, o documento acrescenta, no entanto, que a economia portuguesa encontrava-se, em 2001, «perante um grave desequilíbrio externo, com grandes défices da conta corrente e de capital».
Para o Departamento de Estado norte-americano, o abrandamento do crescimento económico português «tornou a austeridade fiscal muito mais difícil de implementar».
No documento, o Departamento de Estado afirma também que «Portugal vai ser forçado a uma maior auto-suficiência quando os fundos da União Europeia forem descontinuados, em 2006».
O Departamento de Estado refere igualmente a tentativa do Governo em mudar o desenvolvimento económico do país de um modelo «baseado no consumo público e investimento público» para um modelo «centrado nas exportações e investimento privado».
Sublinhando que Portugal foi «o primeiro país neutro» a reconhecer a independência norte-americana, o documento diz que a «grande» comunidade portuguesa nos Estados Unidos contribui para «os fortes laços» que unem os dois países.
«Excelentes relações de Defesa»
O Departamento de Estado salienta ainda que «as relações de Defesa entre Portugal e os Estados Unidos são excelentes, tendo como base o Acordo de Cooperação e Defesa de 1995».
No documento, é referido que a base aérea das Lajes tem «jogado um papel importante no apoio a aviões dos Estados Unidos envolvidos em missões contra-terroristas e humanitárias, incluindo as operações no Afeganistão e Iraque».
«Portugal também fornece aos Estados Unidos e outros aliados acesso à base aérea do Montijo e a vários portos», afirma o Departamento de Estado, que faz notar que «Portugal define-se como 'atlanticista', sublinhando o seu apoio a fortes laços europeus com os Estados Unidos, particularmente em questões de Defesa e Segurança».
«O governo português tem sido um aliado chave nos esforços liderados pelos Estados Unidos no Iraque», salienta o Departamento de Estado no documento, que destaca a contribuição portuguesa de «uma pequena força policial (da GNR) e de fundos para outro treino e projectos de desenvolvimento para a reconstrução do Iraque».