O Instituto de Conservação da Natureza (ICN) vai sair da tutela do Ministério do Ambiente para o Ministério da Agricultura, denuncia a Quercus.
A associação ambientalista Quercus alertou hoje para o «risco iminente de extinção» do ICN, avisando que o Governo quer passar a gestão das áreas protegidas para o Ministério da Agricultura.
Na TSF, o dirigente da Quercus Francisco Ferreira disse ser «inaceitável e absurda» esta iniciativa.
«Não tem sentido, num quadro de desenvolvimento sustentável, que a conservação da Natureza seja gerida no âmbito limitado da agricultura e florestas», comentou Francisco Ferreira.
A Quercus pretende apelar ao Parlamento e ao Presidente da República para que não permitam este «verdadeiro atentado ambiental em Portugal», que só «interessa aos lobbys da caça e da floresta».
Segundo a Quercus, os directores dos parques e reservas naturais receberam hoje um ofício alertando para a possibilidade de as áreas protegidas passarem para a recém-criada Secretaria de Estado das Florestas.
Contactada pela TSF uma fonte do ministério do Ambiente disse que o ministro Amílcar Theias é «formalmente contra esta medida» que iria esvaziar uma das competências originais, desde a criação em Portugal, de um ministério do Ambiente.
Entretanto os ministérios do Ambiente e o da Agricultura vão-se reunir ainda hoje, no minsitério das Finanças, para discutirem esta medida.
Uma alteração que revolta as organizações não governamentais de ambiente.
Ouvido pela TSF, José Manuel Alho, presidente da Liga para a Protecção da Natureza (LPN) diz que esta medida pretende «esvaziar competência e capacidade operativa do ICN».
O presidente da LPN fala num «retrocesso civilizacional grave».
No mundo de hoje, «o que fazia sentido era o contrário passar as florestas para a tutela da conservação da natureza».