Depois da divulgação de novos dados sobre o caso da filha de Martins da Cruz, que levou à demissão de Pedro Lynce, o Bloco de Esquerda, pede um inquérito parlamentar e o PS quer o ministro dos Negócios Estrangeiros na AR o mais urgente possível.
A SIC revelou esta noite que existirem vários contactos entre assessores de Pedro Lynce, que já se demitiu, e Martins da Cruz no alegado favorecimento da filha do ministro dos Negócios Estrangeiros no acesso ao ensino superior.
O BE considera estes factos mais do que suficientes para a realização de um inquérito parlamentar.
«É fundamental, é urgente mesmo, que se esclareça toda a verdade, estamos a assistir a um caso de contornos complicados que envolve altos funcionários quer do ministério da Ciência e Ensino Superior quer do Ministério dos Negócios Estrangeiros que poderá envolver mesmo o secretário de Estado do MNE», considera João Teixeira Lopes.
O bloquista defende também que «é cada vez mais evidente que o ministro Martins da Cruz alegadamente estará consciente e envolvido nestas actividades para abrir um regime de excepção para a sua filha, o que é extraordinariamente grave, perigoso para as instituições democráticas e mais perigoso ainda seria se não se averiguasse o grau de responsabilidade e implicação do ministro».
Por isso o BE entregou hoje na Assembleia da Repúblia um requerimento onde propõe a criação de uma comissão eventual de inquérito parlamentar à actuação de Pedro Lynce e Martins da Cruz.
PS quer Martins da Cruz na AR
O PS também já emitiu um comunicado onde exige o mais depressa possível a presença de Martins da Cruz na Assembleia da República para prestar esclarecimentos.
A SIC noticiou ainda que o ex-chefe de Estado de Pedro Lynce, Rui Trigoso, tentou sem êxito pareceres de juristas no sentido de flexibilizar o ingresso no ensino superior a filhos de diplomatas.
O porta-voz socialista, Vieira da Silva, referiu que a confirmar-se a «existência de diversas iniciativas, envolvendo ligações entre os ministérios da Ciência e do Ensino Superior e dos Negócios Estrangeiros com o objectivo de alterar a legislação em vigor» se verifica uma versão contraditória da que Martins da Cruz defendeu em público.
«Se estas notícias correspondem à realidade, há não só um défice de solidariedade entre membros do governo, como também um gravíssimo défice de verdade», considera.
«Ao primeiro-ministro compete, de imediato, esclarecer tudo o que se passou e tirar as consequências adequadas», afima o PS em comunicado.