O Comité Olímpico Português nega qualquer responsabilidade na falta de apoios ao atleta Manuel Silva. O português, eliminado da prova dos três mil metros obstáculos, sente-se injustiçado e lamenta que tenha de correr com sapatos rotos devido à falta de apoios.
O atleta português Manuel Silva, eliminado este sábado na prova de três mil metros obstáculos, disse que a sua prestação poderia ter sido muito melhor se tivesse apoios.
Num desabafo após o final da prova, o atleta português referiu que os resultados que alcançou não podem ser comparados com os de outros atletas profissionais, devido à falta de apoios que tem e que, segundo ele, muitas vezes o levam a correr com sapatos rotos.
Manuel Silva diz sentir-se injustiçado com a situação até porque conseguiu os mínimos para estar em Atenas e teve de pagar, ele próprio, a viagem para estar nos Jogos Olímpicos. Enquanto isso, diz o atleta, outros atletas tiveram esse apoio e nem estão nas olimpíadas.
Comité Olímpico POrtuguês reage
Em declarações à TSF, o presidente do Comité Olímpico Português (COP), Vicente Moura, negou qualquer responsabilidade e qualifica as declarações de Manuel Silva como «delirantes» e «queixas de mau pagador».
Segundo Vitor Mota, secretário-geral do COP, a partir dos Jogos Olímpicos de Sidney, e durante dois anos, Manuel Silva sempre teve o apoio do projecto olímpico para Atenas, mas foi excluído por não ter apresentado resultados. A partir daqui, deixou de receber qualquer bolsa do comité olímpico e passou a ter apoios apenas da Federação de Atletismo.
O comité olímpico diz que a viagem de Manuel Silva para Atenas foi paga pelo organismo mas, segundo Vicente Moura, as declarações de Manuel Silva provam que o atleta não merecia estar nas olimpíadas.
Recorde-se que Manuel Silva conseguiu a marca para estar presente em Atenas apenas duas semanas antes das olimpíadas e bateu o recorde nacional numa prova em Estocolmo.
Federação Portuguesa de Atletismo
Contactada pela TSF, a Federação Portuguesa de Atletismo mostrou-se surpreendida com as queixas de Manuel Silva. Fernando Mota, presidente da Federação, diz, no entanto, que só fará declarações mais tarde, depois de falar com o atleta.
Por seu turno, o secretário de Estado do Desporto, confrontado com as queixas dos atletas portugueses presentes em Atenas, lamentou aquilo que considerou ser um discurso fatalista.