O gelo nas regiões do Árctico no Inverno está a reduzir a um nível de seis por cento ao ano, bem mais do que o 1,5 por cento por década que se registava desde 1978. Esta redução está a ter efeitos sobre os animais e pessoas que vivem na região.
O gelo no Árctico no Inverno diminuiu cerca de seis por cento em cada um dos últimos dois anos, em comparação com os 1,5 por cento por década registado desde o início destas observações por satélite.
Segundo um climatologista ligado ao Centro Goddard da NASA, este fenómeno terá «resulta provavelmente do aquecimento atmosférico devido aos gases com efeito de estufa».
Joey Comiso adiantou ainda que o recuo dos glaciares do Árctico é, em média, de 10 por cento por década, no Verão, desde 1979, o que leva os especialistas a concluírem que agora a redução do gelo nestas regiões é mais no Inverno do que no Vaerão.
Estes números preocupam bastante os especialistas em Ambiente, pois os valores actuais trazem a debate os desequilíbrios da natureza provocados pelo aquecimento global.
«Ao fundir o gelo oceânico, vamos ter maior absorção da radiação solar e de certa forma há um efeito positivo ao acelerar de certo modo o aquecimento global. Mas mais preocupante, a médio e longo prazo, é o facto de os campos de gelo estarem também a fundir», avançou Filipe Duarte Santos.
Este especialista da Faculdade de Ciências de Lisboa referia-se ao gelo que não é oceânico, mas que está assente sobre terra, em especial na Groenlândia e no Este da Antárctica, facto que está a aumentar o nível do mar, algo que tem consequências a nível da flora e da fauna.
«Um aspecto que é emblemático é o urso polar e há já observações de animais que já observações destes animais que se afogam, pois não encontram plataformas de gelo sobre as quais possam passar a andar», explicou.
Filipe Duarte Santos acrescentou ainda que este degelo está também a ter efeitos sobre as pessoas que vivem nas zonas mais a norte do Canadá e da Rússia, que terão o seu modo de vida totalmente alterado por estes fenómenos.