Faz no sábado 20 anos que nasceu o primeiro «bebé proveta» em Portugal. Actualmente, há 500 mil portugueses com problemas de infertilidade numa altura em que falta legislação e uma Alta Autoridade para a Procriação Medicamente Assistida.
Faz no sábado 20 anos que nasceu o primeiro bebé gerado através da fertilização "in vitro", uma técnica cada vez mais procurada entre os cerca de 500 mil portugueses que sofrem de infertilidade.
Em declarações à TSF, Carlos Saleiro, o primeiro "bebé proveta" em Portugal, considera-se um jovem normal, apesar da experiência a que os pais se sujeitaram para o ver nascer em 1986.
«Não me acho diferente de modo nenhum. Sei que fui o primeiro, mas não é nada de especial para mim», confessou o jogador do Sporting, actualmente emprestado ao Olivais e Moscavide.
Carlos Saleiro explicou que os pais o foram elucidando a pouco e pouco sobre a forma como nasceu, «no sentido de tranquilizar e proteger».
«Foi o que aconteceu até aos 18 anos. Várias jornalistas ligavam para eu dar entrevistas e os meus pais diziam sempre que não para me protegerem. Até aos 18 fui menor, mas a partir dos 18 sou eu que decido e por isso é que estou aqui a dar esta entrevista porque acho que é uma coisa normalíssima», acrescentou.
O jogador lembrou ainda o facto de ter sido o único a ter nascido no decurso da experiência realizada há 20 anos que envolveu 11 casais, onde apenas três mulheres engravidaram, mas só uma acabou por dar à luz: a sua mãe.
Carlos Saleiro acha que é um homem de sorte, mas preferia ficar conhecido por outra coisa que não o facto de ser o primeiro bebé proveta em Portugal. «Quero ficar na história como jogador de futebol ao mais alto nível», concluiu.
Especialista defende Alta Autoridade para a Procriação Medicamente Assistida
Actualmente são os casais mais velhos que mais recorrem à procriação medicamente assistida, sendo a a fertilização "in vitro" a técnica mais procurada e de onde descendem os métodos mais inovadores.
Estas técnicas, disponibilizadas por seis hospitais públicos portugueses, podem ser obtidos numa clínica privada por preços que entre os 2500 a 4000 euros.
Em declarações à TSF, o presidente da Sociedade Portuguesa da Medicina da Reprodução lembrou que a pressão económica entra também nestes casos, por causa das seguradoras.
«Muitos doentes que têm o seu seguro de saúde e que julgam que tem comparticipação, vêem que as seguradoras dizem que isso não é doença. O que é, no meu entender, uma arbitrariedade porque as entidades oficiais recomendam que se combata a infertilidade», acrescentou João Silva Carvalho.
O especialista recorda também que as questões envolvem muitas vezes problemas éticos como por exemplo quando uma paciente diz que é solteira e que quer ter um filho, pois a sua «idade está a passar».
João Silva Carvalho considera que por isso é absolutamente necessário legislar e criar uma Alta Autoridade para a Procriação Medicamente Assistida que «acompanhe o evoluir da técnica e da ciência e que esteja permanentemente em cima das coisas».
«Tem de poder dizer que isto se pode fazer e que aquilo não se pode fazer. Tem de permitir alguns projectos de investigação, mas não permita outros», concluiu.