Mário Cesariny vai receber, esta quarta-feira, o único prémio que aceitou até hoje atribuído pela Associação Portuguesa de Escritores. O presidente da República vai também a casa do poeta para entregar a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade.
O prémio «Vida Literária» foi atribuído em Outubro por unanimidade pela Associação Portuguesa de Escritores, no valor de 25 mil euros e realça o «poeta raro» Mário Cesariny.
Em associação com esta distinção, Jorge Sampaio, o presidente da República, vai esta tarde à casa do artista, situada em Lisboa, para o condecorar com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade.
Poeta e pintor, Mário Cesariny, que nasceu em 1923, atravessou os caminhos da poesia experimental, inspirado nas concepções artísticas do movimento surrealista, onde o absurdo e o insólito fazem parte da escrita.
Em 2002, entrevistado pela TSF, Mário Cesariny desvalorizava a sua obra e considerava que apenas tinha feito «umas coisas».
O poeta afirmou nunca ter conhecido o peso da palavra trabalho, porque fazer algo que «realmente» gostamos «talvez não seja assim tanto trabalho».
Para a directora da revista LER, Mafalda Lopes da Costa, este prémio é totalmente merecido.
«Mário Cesariny já há muito tempo - não fosse os anti-corpos que criou - que merecia este prémio. Acho que se isolou um bocadinho do mundo literário, obviamente porque quis, mas acho que o mundo literário também se isolou dele, o que não tem razão de ser. É um reconhecimento tardio», afirmou
Para a crítica literária Mário Cesariny é um poeta único na cena literária portuguesa.