Publicado por ruitukayana em
11 de Ago de 2009
Quando se soube que a Google estava prestes a
lançar um sistema operativo para os telemóveis mais avançados, fiquei
expectante. A gigante da internet prometia muita coisa interessante,
como uma forte aposta na ligação à internet e no sincronismo das contas.
Outra
coisa que na altura (e já lá vai mais de ano e meio) gostei de ler foi
a "abertura" do sistema operativo. O que isto quer dizer é que a Google
oferece às construtoras um sistema operativo pronto a funcionar, mas
que elas podem alterar um pouco se entenderem. Isto tem várias
leituras, mas uma das que mais me motivou foi o facto de permitir que
sejam várias as marcas a fazer smartphones Android e a outra (e
principal) é que se as fabricantes de telefones não têm que pagar pelo
sistema operativo então é de esperar que isso seja reflectido no preço
final.
Infelizmente não é. Ou se é, não é tanto quanto eu gostaria.
Tomemos
o exemplo português. Por aqui pode-se comprar o HTC Magic via TMN ou
Vodafone. Ambas as operadoras o vendem (sem subsídios e subscrições) a
€449,90. Ou seja, há outros smartphones touchscreen com um preço desta
ordem de grandeza e até mais baratos.
Mas enfim, antes que eu
continue para aqui com o meu queixume (tenho mais uma forte razão de
queixa) vamos conhecer um pouco melhor o primeiro smartphone com ADN da
Google a ser vendido em Portugal.
Chama-se HTC Magic e a incarnação que pude conhecer é a da Vodafone.
Por fora:
Em
termos de design pode-se dizer que o Magic é elegante. Bem mais do que
o seu antecessor (que não chegou a ser vendido em Portugal). Em relação
a ele perdeu, sobretudo, o teclado físico e alguns milimetros de
espessura. Para quem gosta de teclados esta troca pode não compensar,
mas esta nova tecnologia de ecrãs é bem mais fácil de usar do que
aquela que obriga a sacar de uma caneta sempre que se quer usar o ecrã
do smartphone, por isso a troca pode não ser assim tão complicada.

Também
não faltam botões. Aliás, diria mesmo que este smartphone tem botões a
mais, mas a HTC quis assim. A meu ver eles estão lá porque o Android
ainda precisa de algumas alterações de forma a funcionar benzinho. E a
HTC, nunca fiando, optou por pô-los lá.

Há ainda uma bolinha,
ao estilo Blackberry que permite navegar pelos ecrãs. Ora, se o ecrã é
touchscreen, ou sensível ao toque (se preferirem em português) então
para que raio quero eu andar a fazer a bolinha girar? Não percebi.
Neste caso acho que é apenas para piscar o olho aos donos de
Blackberries, mas é totalmente desnecessária.

Falta-lhe uma entrada minijack 3.5mm.
Por
outras palavras, o auricular funciona através da porta USB, o que é uma
mania estúpida que a HTC tem vindo a aplicar. Refira-se que outras
fabricantes fazem coisas do género, a HTC não é a única a ir por este
caminho sem sentido nenhum.
Por Dentro:
Vou
passar olímpicamente ao largo disto. É um Smartphone, tem um
processador e memória equiparável a tantos outros. Se em termos de
espaço for pouco (e é natural que seja) então tem um slot microSD onde
se pode inserir um cartão destes e ter mais uns Gigabytes para MP3 e
vídeos.
Tem GPS, WiFi, Bluetooth e ligação à internet por banda larga móvel. Todas as especificações estão aqui.
O Software:
É
aqui que se esperam grandes diferenças em relação a outros smartphones.
Devo confessar-me um entusiasta dos serviços da Google. Uso
constantemente o Gmail, o Google Talk, o Google Calendar e o Google
Docs. Repito: constantemente.
Por isso, quando peguei no HTC Magic esperava grandes coisas vindas do Android.
A
ligação à internet (via WiFi ou 3G) é quase mandatória. O HTC Magic e
qualquer outro smartphone com o Android deixa de fazer sentido sem uma
ligação à world wide web. Se o que procura não é propriamente um acesso
imediato aos seus emails e websites, então o Android não é a melhor
opção.
Devo admitir que não estou totalmete satisfeito com este
sistema operativo. O Android foi apresentado à cerca de um ano, já vai
na segunda versão mas mesmo assim ainda não é o que eu estava à espera.
Já avançou muito, é verdade! Está mais bonito e tem vindo a ser
melhorado, mas ainda não é o que procuro.
Explico já o que me deixou tão desolado:
Li
que na primeira versão do Android, o utilizador tinha de ter uma conta
no Google para tomar partido do telefone. Na altura pensei: e rapaziada
como eu, que tem duas ou mais (tenho cinco) contas no Google que usa
com regularidade (uso três)?
Pensei que na versão seguinte do Android esta coisa ficaria resolvida. Enganei-me.
Sendo
assim posso usar o Google Talk e acompanhar o Gmail de uma das minhas
contas (uso a que utilizo para assuntos da TSF) mas mais nenhuma. Ou
seja, os emails pessoais que recebo noutra conta e os do Mundo Digital
(ainda outra, a terceira de que falava) ficam todos para ler em casa.
Como dizem os Mão Morta na música "Bófia": Ah! Que raiva!
Apesar desta pequena grande contrariedade, a verdade é que muitos dos
que querem o Android devem usar apenas uma conta do Google, por isso
não vão sentir as contrariedades que eu sinto. Faço um esforço e
continuo a circular.
Por outro lado há coisas maravilhosas.
O
sincronismo do telefone com tudo o que temos no Google é uma delas. Um
exemplo é o caso do Google Calendar. Ao adicionar-se um evento ou
editar qualquer coisa na agenda tudo fica actualizado automaticamente.
O mesmo acontece com os contactos. Ao adicionar-se um novo contacto via
o Gmail, por exemplo, o telemóvel tem imediatamente a essas novidades.
O brilhante é que tudo funciona sem darmos conta, sem truques ou qualquer dificuldade.
Como é usa-lo:
É
aqui que as coisas começam a sorrir para a Google. A verdade é que,
mesmo precisando de algumas afinações, o Android é bem interessante.
Inicialmente
tem três ecrãs principais. Para passar de um para o outro o utilizador
tem que deslizar o dedo sobre o ecrã para a esquerda ou direita. Sendo
assim, é como se estivessem os três alinhados lado-a-lado, sendo apenas
possível ver um de cada vez. A coisa funciona bem e é engraçado porque
ao escolher-se um papel de parede que o permita, a imagem é divida
pelos três ecrãs e o efeito é muito engraçado!

O primeiro, o da
esquerda, vem totalmente em branco. Repito: totalmente. É aqui que
podem ser adicionados ícones de programas instalados, por exemplo, mas
também muitas outras coisas. Basta ficar com o dedo sobre o ecrã
durante alguns segundos e aparece uma imensa lista de possibilidades.
Fiquei surpreendido.
O seguinte, é provavelmente aquele que
será mais escolhido pelos utilizadores. Inclui as horas e os ícones que
servem de atalho para alguns programas.

Já o terceiro, o que está mais à direita, na prática é o Google Search e permite fazer buscas na net bem rapidinho. Na imagem acima, aparece não só a busca, mas como dois ícones. Neste caso a imagem junta os ecrãs do meio (com os seus ícones) e o da direita.
Atenção 1:
todos estes ecrãs são configuráveis, não só no que aparece neles, como
também o seu aspecto. Não vou falar disso, mas na net não falta
informação sobre isso.
Atenção 2: É complicado obter imagens directamente do Android, e eu não tive qualquer hipótese de o fazer. Sendo assim tive que me agarrar a algumas imagens que fui encontrando na net para mostrar aquilo de que vou falando.
Em cima de tudo isto, e de uma forma
quase omnipresente, há uma pequena barra que rapidamente se vai tornar
o melhor amigo do dono de um telemóvel com o Android. Ela dá conta das
horas e do estado da bateria entre outras coisas, mas também da chegada
de novos emails / conversas no Google Talk. É a que aparece aqui em baixo.

Isto é
particularmente bem-vindo porque funciona em tempo real. Ou seja,
sempre que alguém nos envia um email, o nosso telemóvel é avisado. O
mesmo acontece com qualquer actualização numa conversa através do
Google Talk (o MSN da Google). Isto é uma maravilha, desde que os
nossos amigos não sejam particularmente conversadores. Aí pode ser um
daqueles casos de virar-se o feitiço contra o feiticeiro.
Já no
fundo das três páginas principais, o que aparece é uma pequena aba que,
se arrastada para cima, dá acesso a todos os programas instalados no
HTC Magic (e em qualquer Android que aí venha).

É por ali que se
encontra o navegador de internet, o calendário, a máquina fotográfica e
de filmar, o Gmail, o Google Talk, os Mapas, mensagens, o leitor de MP3
e ainda os vídeos do YouTube. Na imagem abaixo vêem-se alguns desses ícones e essa "pasta" puxada para cima.

Quando à velocidade com que tudo se processa está tudo muito bem. Rapidinho como se quer e como nem sempre se encontra.
Tira
fotografias (3.2MP) e faz vídeos. Até aqui nada de extraordinário. O
que me deixou mesmo feliz é que ao seleccionarmos um vídeo gravado por
nós, ele pergunta qualquer coisa como quer partilha-lo? Como? Por mail,
gmail, GTalk ou YouTube?


No caso das fotografias a mesma pergunta é feita, mas está lá o Picasa em vez do YouTube.
Uau!
ANDROID MARKET
Quando
a Apple lançou a AppStore para o iPhone, todas os outros sistemas
operativos perceberam que aquele era o caminho certo. Um só local onde
se agregam os programas pagos e gratuitos para uma determinada
plataforma. O resultado é que o Windows Mobile vai ter uma loja do
género, os BlackBerry também e por aí fora.
O Android já tem.
Chama-se Android Market e não me parece grande coisa. É verdade que são
destacados alguns programas, mas eu gostava de saber quais são os mais
populares, ou os mais vendidos e depois gostava que estas categorias se
dividissem em pagos e gratuitos. Para já, está tudo tudo misturado como se pode ver na imagem seguinte. Seja como for, imagino que mais cedo
ou mais tarde a Google avance por aqui.
Por isso é uma má opinião, mas que a prazo deve mudar.
Deve.
Quanto
ao software que se encontra por ali, há um pouco de tudo, mas apenas um
pouco. Nenhum deles, apesar de tudo, consegue resolver o problema que
descrevi mais acima sobre o facto de ter várias contas no Gmail. Por
outro lado, também não têm o nível visual que se encontra com cada vez
mais facilidade nas aplicações para o iPhone.
Quanto ao número
de aplicações disponíveis, e apesar de dentro de algum tempo haver
muitos telemóveis com o Android, a verdade é que os números das vendas
são muito tímidos em relação ao iPhone, por isso é natural que os
programadores se virem para o mercado das aplicações para o Apple de
bolso.
Voltando às (reduzidas) potencialidades do Android Market refira-se também que, para já, o funcionamento é tão básico que nem sequer se podem ver imagens do programa que estamos a investigar.
PENSAMENTOS FINAIS
Não quero, nem podia ser assim, que este texto seja tomado como uma análise definitiva tanto ao Android como ao HTC Magic. Ficou muito por indagar e quando devolvi este PDA ainda não conhecia o novo sistema operativo a fundo. Seja como for devo admitir que não estou convencido. Ainda não.
A ligação íntima ao Google é muito bem-vinda, mas não chega. É preciso mais e melhor software pago ou gratuito. O que existe actualmente é muito fraquinho.
Quanto ao Smartphone em si, tenho muito pouco a apontar. Gostava que fosse mais fino. Também podia ter menos botões (ao estilo iPhone) mas aí, verdade seja dita, o próprio sistema operativo Android teria que ser alterado para funcionar de maneira diferente.
Gostava ainda de voltar a realçar um ponto importante:
Ao contrário do que acontece habitualmente, a Google oferece de forma gratuita o Android às fabricantes de telemóveis. Ora, não seria de esperar que essa benesse fosse vertida sobre os consumidores finais e não sobre os fabricantes ou operadores? Eu gostava que sim.
EXTRAS
Já agora, ficam aqui alguns wallpapers para os fãs do Android. Clicando nas imagens chegam a uma versão mais grandita. Encontrei-as na net.

Etiquetas: HTC, Android, Review, TESTE, Magic
Publicado por ruitukayana em
06 de Jul de 2009
O Android, da Google é um sistema operativo especial.
Basta lembrar que é open-source e gratuito. Isto quer dizer que se eu quisesse agora mesmo montar uma empresa fabricante de telemóveis, poderia usar este sistema operativo sem ter de dar satisfações a seja lá quem for. Com os outros isto não é assim e as fabricantes que não têm o seu próprio sistema operativo têm que pagar uma licença por cada telemóvel que criam.
Ora, o Android é, tanto quanto eu sei, totalmente gratuito. Diria mesmo que é uma espécie de gajo fixe que só quer o bem de toda a gente.
Já as operadoras móveis portuguesas têm feito à volta dele um pé de guerra como nunca se tinha visto.
Em Portugal, o primeiro telefone com este sistema operativo vai ser o HTC Magic e a batalha sobre quem é que o vai lançar primeiro tem sido de tal ordem que até tenho medo que alguém se aleije*. :)
Eu relembro:
Em Fevereiro a Vodafone anunciou que o ia vender.
Em Junho a TMN fez o mesmo e avançou de imediato com um sistema de pré-registo.
A Vodafone reage fazendo a mesma coisa poucos dias (se tanto) depois.
Terça-feira passada a TMN apresentou-o e disse "vamos ser os primeiros a vender o HTC Magic! Vai ser na próxima segunda nas nossas super-lojas no Porto e em Lisboa".
Momento de glória: o Mundo Digital foi o primeiro a avançar com os tarifários da TMN.
Agora é a Vodafone que diz "nós também o vamos vender na segunda-feira" e se os senhores da DHL se despacharem vai ser mesmo esta multinacional a primeira a chegar à meta. É que a Vodafone não espera por logo à noite.
A corrida está ao rubro e a palavra de ordem é vender! vender! vender!
Seja então bem-vindo Sr. Android. Todos esperamos grandes coisas de si!
*Para o provar basta referir a publicidade da TMN que diz que o "smartphone Android, a 6 de Julho, é só na TMN". Apesar de não ser verdade convém lembrar que só ontem a Vodafone decidiu vendê-lo esta segunda-feira. Era dificil adivinhar...
Etiquetas: Google, HTC, Android, TMN, HTC Magic
Publicado por ruitukayana em
23 de Jun de 2009
Esta segunda-feira a TMN avançou com o registo para pré-venda do HTC Magic, o primeiro smartphone em Portugal a falar a língua do Googlês, ou seja, o primeiro a ter o Android como sistema operativo.
Este Android foi concebido pelos rapazes e raparigas do Google e quer ser uma alternativa ao iPhone, ao Windows Mobile, ao Nokia N97 e aos Palm. Em tempos brinquei por uns minutos com a versão 1.0 deste sistema operativo. Confesso que me motivou muito mais no papel, do que depois na prática, mas a verdade é que o Android já evoluiu um pouco e está receber melhorias evidentes.
Entre os pontos positivos destaca-se o facto de ser software aberto. O que isto quer dizer é que qualquer pessoa pode contribuir e criar facilmente programas para ele. Arrisca-se também a ser mais barato do que os outros.
Pena é que, pelo menos na versão original, obrigue a ter-se uma conta activa no Google para funcionar em condições. No meu caso, uma conta é muito pouco, mas como eu sei que a imensa maioria das pessoas não tem cinco contas do Google, penso que pode chegar.
Quanto a marcas que o podem vender, também isso é livre. Basta querer. Em Portugal foi a HTC que quis primeiro.
Depois da TMN anunciar a pré-reserva, a Vodafone veio relembrar um anúncio feito em Fevereiro, quando disse que em Julho (também em Julho, leia-se) vai vender este aparelhinho. Pena é que, para já, nenhuma das operadoras tenha avançado com mais pormenores.
Etiquetas: Vodafone, Google, HTC, Android, TMN, HTC Magic