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Com Luís Freitas Lobo e João Rosado, sob a arbitragem de Mário Fernando

Às segundas, depois das 20h, com repetição depois da meia-noite.

Luís Freitas Lobo

Nasci em 1967. Em 1970, portanto, já estava presente para testemunhar as maravilhas de Pele, Jairzinho, Tostão e companhia no Mundial do México. Ainda não conseguia, no entanto, ver os jogos sob uma perspectiva táctica. Agora, como os tenho todos gravados na minha colecção particular de vídeos, vejo-os religiosamente. Como se viajasse no tempo e visse Puskas da mesma forma que hoje vejo Kaká. Para mim, mais do que cinco continentes e sete mares, o mundo é um infinito conjunto de campos de futebol com muitas casas á volta e desde 1998 que tenho procurado, em vários meios de comunicação, passar essa emoção. Porque, como gosto de dizer 'Quando um homem tem uma paixão, seja ela qual for, o melhor que tem a fazer é ir tratar dela!'
Da Revista Mundial e Publico, até ao Expresso e à sagrada A Bola, a Bíblia com que em menino aprendi a escrever lendo Mestres como Vítor Santos. Na rádio da Antena 1 à TSF, na televisão, da SIC Noticias até à RTP, onde hoje estou. Todos os dias penso em futebol. Por isso, em qualquer local, falo ou escrevo sobre futebol, partindo sempre da única forma que o entendo ser possível conceber: com emoção.

João Rosado

João Rosado nasceu em Évora, em 1970. É licenciado em Comunicação Social pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Entre 1988 e 1992 foi colunista no jornal «A Capital». Foi redactor no jornal «Record» entre 1992-1995 e 2003-2004. Entre 1995 e 2002, foi redactor e editor no jornal «O Jogo». Desde 2007 é colunista no jornal «Diário de Notícias. Foi comentador de futebol na «Antena 1» entre 1999 e 2000, na «Rádio Renascença» entre 2001 e 2004, na Sport TV entre 2001 e 2007. É comentador de futebol na SIC, desde 2007, e na antena da TSF desde 2004.

Mário Fernando

Jornalista há 27 anos passou a maior parte da vida profissional na rádio. Comercial, Renascença, RFM, Correio da Manhã e XFM até aterrar na TSF. Foi em 1995 e, três anos depois, passou a editor de Desporto. Até hoje. É um fanático por futebol, por isso, não tem paciência para a forma como os dirigentes tratam a coisa, ou seja, quando resolvem que os clubes deles é que contam e o resto é paisagem. Não é, mas isso eles jamais vão entender. No meio de tudo isto houve três reportagens que o marcaram: a primeira visita de Nelson Mandela a Londres depois da libertação e duas edições dos Jogos Olímpicos, Sidney2000 e Pequim2008. Curiosamente, nenhuma delas tem a ver com futebol.

A final

Colocado por mario.fernando em 20-03-2010 às 18h12

Um troféu , qualquer que ele seja , dá sempre jeito para engrossar o currículo de um clube. É claro que existem competições mais relevantes do que outras , pois não é comparável a importância de um campeonato com a de uma Taça da Liga. Ainda assim , parece muito evidente que tanto Benfica como FC Porto estão particularmente interessados em ganhar no Algarve. Ainda que um triunfo ou uma derrota nada venham acrescentar ao essencial da temporada para cada um deles.

O Benfica tem todas as prioridades centradas na corrida ao título nacional , não apenas por significar a interrupção da caminhada portista , que já vai em mais um tetra , mas também por marcar o regresso dos encarnados à Liga dos Campeões , considerada na Luz como a prova internacional em que a sua equipa deve realmente estar. Por outro lado , o Benfica admite que pode tentar algo mais na actual Liga Europa , em que já recuperou grande parte do prestígio externo que desbaratara nas últimas épocas.

Portanto , se a equipa de Jorge Jesus não conquistar a Taça da Liga , nada de verdadeiramente vital será posto em causa. Pode , isso sim , representar um revés perante aquele adversário com o qual as águias não querem perder nem a feijões. É por isso que , mesmo reconhecendo a pouca relevância desta prova doméstica , estou convicto de que o Benfica tudo fará para conseguir , de imediato , o primeiro troféu desta temporada. Sobretudo , sublinho , porque o adversário é o FC Porto e isso assumiria uma carga simbólica ainda mais marcante do que se a final fosse ganha a qualquer outro.

Do lado portista , as premissas são completamente diferentes. Excepto num ponto em que há convergência com o pensamento dos encarnados : os dragões também têm pela frente um adversário com o qual não querem perder nem aos berlindes. Ao FC Porto só resta mesmo tentar a dobradinha nas duas Taças em que compete , o que torna , se quisermos , "mais obrigatória" a conquista deste troféu. Não deixa de ser irónico verificarmos que uma prova constantemente desvalorizada pelos dragões (desde sempre) , acabe agora por assumir um papel que o FC Porto nunca lhe quis atribuir.

Seja como for , o desfecho da final também não terá grandes implicações no futuro do Dragão. Se perder , nada de fundamental se altera em relação ao que já está traçado. Se vencer , será uma forma de lavar a face , que poderá ter um complemento não menos dignificante na Taça de Portugal. E , certamente , também nada mudará ao que já está traçado.

Duas notas adicionais. Primeiro , lamentar a lesão grave de Varela que o afasta dos relvados até final da época. Mau para o atleta , para o FC Porto e para a selecção. Segundo , esperar que esta final seja , unicamente , um jogo de futebol. Para aqueles (de um lado e outro) que tenham ideias condenáveis nas cabeças , seria oportuno lembrar que há milhares de adeptos que vão assistir à partida e que não têm a mínima paciência para gente irresponsável. 

 

    

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O grande duelo

Colocado por mario.fernando em 19-03-2010 às 16h15

De repente , até parece que a Liga Europa adquire o perfil da Liga dos Campeões. Aliás , não por acaso , os responsáveis da UEFA não escondem a satisfação pela forma como ficaram arrumados os quartos de final. Um Benfica - Liverpool dá sempre outro ar à coisa.

Passando adiante desta avaliação lateral do momento da Liga Europa , fica o registo de um grande duelo que se coloca agora à equipa de Jorge Jesus. Depois do Marselha , aí está outro adversário de primeira linha. E , tal como na eliminatória com os franceses , também aqui as hipóteses de qualificação estão repartidas. Nem vale a pena fazer prognósticos , porque há argumentos de um lado e outro para seguirem em frente.

Agora , há algo de que não tenho qualquer dúvida : se o Benfica atingir as meias-finais vai ser apontado pelos "experts" europeus como o principal candidato à conquista da prova. Pode nem o conseguir , mas da fama já não se salvaria. Aconteça o que acontecer , vem aí uma daquelas eliminatórias que convém não perder.

PS : Como era de prever , o caso-Izmailov arrisca-se a ser o centro das atenções no Sporting daqui para a frente. Um assunto , recorde-se , puxado para a praça pública pelo próprio Sporting. Nem é preciso acrescentar mais nada...

 

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Muita águia e pouco leão

Colocado por mario.fernando em 19-03-2010 às 01h05

Um grande Benfica , à altura das exigências europeias , e um Sporting que falhou , precisamente , naquilo em que já sabia que não podia falhar. Foi simplesmente isto que ditou a separação de águias e leões na Liga Europa. Umas ficam e os outros não. Naturalmente.

Sejamos francos : com este triunfo , penso que mais ninguém em Marselha terá a veleidade de voltar a lamentar-se da célebre mão de Vata. Este Benfica , que esteve no Velódrome , mostrou maturidade e , principalmente na segunda parte , mandou no jogo e soube explorar (como não tinha conseguido em Lisboa) as fragilidades da equipa francesa. Repare-se que os encarnados constuíram várias oportunidades e até podiam ter resolvido o problema mais cedo se Cardozo e Di Maria tivessem a pontaria afinada.

Mas muito mais relevante do que isto foi a capacidade demonstrada em "encaixar" um golo , quando o andamento do desafio não o indicava , e reagir de forma segura , imperturbável , clara , sem medo , justificando a viragem no marcador. Tudo isto nos últimos 20 minutos quando , outra equipa com menos coesão , talvez já não fosse capaz. Uma grande vitória e uma exibição irrepreensível. Uma palavra para Jorge Jesus. O técnico encarnado soube operar as alterações certas nos momentos certos. A entrada de Kardec foi , sem dúvida , a cereja em cima do bolo.

Já em Alvalade confirmaram-se os piores receios. O Sporting tinha como primeira prioridade não permitir golos ao At.Madrid. Esta missão durou...três minutos. Ou seja , os leões acabaram condenados a andar sempre atrás da desvantagem (0-1 e , depois , 1-2) o que obrigou a um desgaste suplementar que , visivelmente , teve reflexos na segunda metade da partida. Mais : o Sporting sabia que os valores individuais da equipa espanhola poderiam repetir os estragos causados ao Galatasaray. Ainda assim , Aguero fez praticamente o que quis (mesmo sem Forlan em campo). O que torna tudo isto mais irritante , é que permanece a ideia de que o At.Madrid não é melhor do que o Sporting. Mas com aquela defesa , convenhamos , os leões "puseram-se a jeito".

Não posso deixar de referir algo que me deixou intrigado e perplexo. Costinha veio publicamente explicar as razões que o levaram a excluir Izmailov do estágio leonino. Tratou-se de pura crucificação do jogador russo. Costinha pode ter toda a razão do mundo , mas trazer para a praça pública (não era o Sporting que ia ficar completamente blindado a partir de agora?) o caso-Izmailov , depois da eliminação da última prova em que os leões ainda podiam fazer qualquer coisa , tem ar de criação de um bode expiatório. Mas não foi este mesmo Izmailov que o Sporting queria vender em Janeiro e que optou por ficar em Alvalade? Tudo isto é muito estranho...

Resta desejar boa sorte ao Benfica no sorteio dos quartos de final. É legítimo pensar em atingir a final , mas as bolinhas de Nyon também podem dar uma ajuda.

 

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A Europa primeiro

Colocado por mario.fernando em 17-03-2010 às 18h57

É sempre desejável que as equipas portuguesas consigam um longo percurso nas competições da UEFA. Há vantagens para o país (reforça a posição no ranking) , mas , sobretudo , para os próprios clubes. Trata-se de prestígio e dinheiro , naturalmente. Esta é a lógica normal , só que , quando olhamos para os casos concretos de Benfica e Sporting na Liga Europa , concluímos que há muito mais em questão.

Jorge Jesus , sem complexos , assumiu que o desafio com o Marselha é mais importante para os encarnados do que a final da Taça da Liga , já no domingo , frente ao FC Porto. Percebe-se. Ganhar aos dragões e conquistar um troféu faz sempre bem ao ego benfiquista , mas estamos a falar de uma competição que o adversário do Benfica nunca valorizou e , desta vez , nem sequer vai falar do assunto antes do encontro. Quer dizer , o FC Porto deixa campo aberto a Jorge Jesus para não ter de dar grande relevo a uma final , reduzindo-a a um simples jogo. Assim , quando resolve apostar tudo na Liga Europa , o Benfica faz aqui uma redefinição de objectivos : primeiro , o campeonato (isto não altera) , mas , logo a seguir , a competição da UEFA. O resto é...o resto.

A final da Taça da Liga só voltará a assumir alguma importância se as coisas correrem mal em Marselha. Para evitar isto , Jorge Jesus coloca em campo toda a "artelharia pesada" e reforça a ideia de que vai mesmo marcar golos no Velódrome. É óbvio que , para eliminar os franceses , o Benfica tem de fazer golos , mas será interessante verificar de que forma vai , simultaneamente , impedir que a pressão francesa se acentue e gerir o contra-ataque. Creio que este é um dos tais jogos em que é mesmo necessário um elevado índice de aproveitamento nas oportunidades que o Benfica conseguir criar. Porque , parece-me , não serão muitas.

Também o Sporting dá prioridade à Liga Europa. Aliás , no caso leonino , a prioridade é total , uma vez que , ao contrário do Benfica , já não tem o título como primeiro objectivo. Sente-se no universo sportinguista uma onda de entusiasmo , face aos resultados recentes da equipa , mas também porque o empate em Madrid ajuda ainda mais a animar as hostes.

No entanto , como em tudo na vida , é preciso não dar por garantido aquilo que ainda não aconteceu. Carlos Carvalhal ainda tem um enorme problema para resolver na constituição do quarteto defensivo , pois o facto de Carriço ter sido convocado nada significa. Terá sempre uma defesa inédita nesta época. E é precisamente aqui que pode residir o calcanhar de Aquiles do Sporting. 

Convém que ninguém se esqueça que o actual At.Madrid , embora não seja uma grande equipa , tem grandes jogadores. Não dispõe de um colectivo , mas tem individualidades que fazem a diferença. Além do mais , tem melhores resultados se entregar a iniciativa ao adversário e apostar na velocidade das suas estrelas , do meio-campo para a frente. Foi assim que destroçou o Galatasaray , na Turquia , em cima dos 90 minutos , depois de um péssimo empate em casa. Atenção , Sporting.

Fica um último voto. Quem passar aos quartos de final , dite o sorteio o que ditar , será sempre encarado pela Europa do futebol como um potencial candidato ao triunfo na competição. Seria muito relevante para Portugal se Benfica e Sporting fossem dois desses potenciais candidatos.    

  

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Todas as Ligas em Jogo

Colocado por mario.fernando em 15-03-2010 às 21h11

E se Carvalhal confirmar mesmo o quarto lugar no campeonato? Não foi Bettencourt quem disse ser a quarta posição o objectivo central do Sporting? E , se saltar para os quartos de final da Liga Europa , Carvalhal tem mais possibilidades de ficar , mas se for eliminado tem menos? Ou , pura e simplesmente , já não tem hipóteses?  Interrogações - muitas - sobre o técnico leonino que espera ser "recompensado" pelo trabalho que está a fazer.

Este é somente um dos tópicos do Jogo Jogado na TSF que falou também do campo de manobra (muito) estreito de Jesualdo Ferreira (especialmente , depois de Londres) , e da questão de honra que representa para FC Porto e Benfica vencerem a Taça da Liga. Precisamente porque o Benfica ganharia ao FC Porto ou o FC Porto ao Benfica. Nos tempos que correm significa mais do que conquistar uma Taça. De caminho , o desenlace europeu (Marselha e At.Madrid) , mais o Braga que vai esperar duas semanas por um líder que passou , na Madeira , um obstáculo sério. 

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No news , good news

Colocado por mario.fernando em 15-03-2010 às 00h50

Vendo bem , esta foi uma jornada que "não contou". Os quatro primeiros ganharam , a posição relativa entre eles mantém-se , obviamente , inalterável , o que atira para a próxima ronda um interesse acrescido. Neste caso , "no news , good news". Para o campeonato é óptimo. Depois de Braga e FC Porto , também Benfica e Sporting somaram os pontinhos da ordem e , objectivamente , os dois grandes de Lisboa atingiram o fundamental nesta fase : os encarnados ficam à espera dos bracarenses com três pontos de avanço (uma vitória do líder deixa o segundo classificado a olhar o título como uma simples miragem) e os leões colocaram ponto final no sonho do V.Guimarães em chegar ao quarto lugar.

No entanto , os jogos da Madeira e Alvalade foram muito diferentes. O Benfica sabia que o Nacional não iria dar-lhe muito espaço e percebeu-se isso logo no início , com Manuel Machado a colocar uma linha de cinco elementos no meio-campo. Por outro lado , o tempo de recuperação dos jogadores encarnados não era o desejável , pelo que Jorge Jesus optou por controlar a situação , mais do que adoptar a já clássica "pressão total" sobre o adversário. E chegou. O Benfica foi quem mais procurou o triunfo - também era quem mais dele precisava - e , apesar de alguns sustos , justificou-o. Recomenda-se que Cardozo não marque penáltis nos próximos tempos , pois esta competição com Falcao para ver quem falha mais não ajuda nenhum deles.

O Sporting realizou 25 minutos alucinantes no arranque do desafio com o V.Guimarães. Aqueles três golos demoliram o castelo e pouco ficou de pé (Liedson e Saleiro assinaram duas obras-primas). Por esta razão , e porque na quinta-feira tem uma questão para resolver com o At.Madrid , a equipa leonina tirou o pé do acelerador , o que deu para os vimaranenses (depois de algumas correções urgentes) assumirem um protagonismo na segunda parte que parecia impensável. Compreende-se o resguardo , mas também não era preciso tanto , pois o Sporting habilitou-se a complicar o que já estava decidido. Espera-se que na Liga Europa se mantenha a "locomotiva" da primeira parte , mas que não chegue a aparecer o "triciclo" da segunda.

PS : Já tinhamos visto em Coimbra ser marcada uma grande penalidade que não existiu. A estória repetiu-se na Madeira. Mas foi Bruno Paixão quem conseguiu um autêntico recorde de erros de palmatória. Validou um golo ilegal , anulou um golo legal , ignorou um penálti evidente (pelo menos) , teve um critério disciplinar confuso , enfim , uma lástima. Acham mesmo que a profissionalização vai servir para alguma coisa?  

      

  

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Ficar à espera

Colocado por mario.fernando em 14-03-2010 às 01h15

Para já , tudo na mesma. Mesmo sem brilho , Braga e FC Porto cumpriram a missão. Mas , vendo bem , entrámos na fase em que o brilho é secundário. Realmente relevante é não desperdiçar pontos. De qualquer forma , há alguns registos distintos que derivam dos jogos de Braga e Coimbra.

Em síntese : o FC Porto voltou aos triunfos , o que ameniza , sobretudo , o descalabro de Londres , mas percebe-se que ainda é cedo para se libertar da insegurança. Repare-se que acabou por ser um rasgo individual , quase ao cair do pano , a decidir um jogo que a Académica tornara complexo. É um facto que , antes , os dragões demoraram apenas três minutos a responder à desvantagem , só que não é menos verdade que se sentiu , durante quase todo o desafio , que a ansiedade que se vive no reino do Dragão lhe condiciona as ideias e a execução. Valeu-lhes que Rodriguez resolveu o problema. 

Há , no entanto , sinais que indiciam (pelo menos) uma tentativa de regresso aos princípios e ao ADN portista. Quando se vê Bruno Alves a agir como o fazia há alguns meses , é porque pode estar a despertar alguma reacção. Creio que isto terá muito a ver com o jogo da próxima semana. Os dragões têm à sua espera a final de uma competição que sempre consideraram menor , mas que agora assume um valor simbólico acentuado. E mais ainda por ser frente a um Benfica que , neste momento , é apontado como o mais sério candidato ao título nacional.

Curiosamente , também o Benfica está no centro das atenções do Braga. Aqui , como se sabe , as razões são diferentes. A equipa minhota tem no horizonte , daqui a duas semanas , na Luz , aquele encontro que Domingos Paciência diz não ser "o jogo do título". Certamente , não é "o do título" , mas é "para o título". Por via das dúvidas , o Braga desloca-se a Lisboa depois de ganhar ao Rio Ave , numa partida não muito conseguida , mas em que o triunfo arsenalista , em bom rigor , nunca esteve em causa.

Acrescente-se que só depois do Nacional - Benfica ficará a saber-se qual a diferença pontual entre os dois candidatos. É muito diferente o Braga ser líder , mesmo em igualdade de pontos (e para isso os encarnados teriam de perder na Madeira) , do que ser segundo (a um ou a três do Benfica). Além de que Domingos vai ter duas semanas para preparar com toda a calma o grande embate.    

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Só umas notas...

Colocado por mario.fernando em 12-03-2010 às 19h22

1 - Era previsível. Fucille não entra nas opções de Jesualdo Ferreira para o jogo de Coimbra. Depois do fiasco da actuação do lateral em Londres , o técnico portista , principalmente nesta altura , precisava de arrumar a casa. E está na cara que Nuno André Coelho fica no banco. É uma outra forma de arrumação. Neste caso , das ideias do próprio Jesualdo.

2 - A final da Taça da Liga , por tradição , promove uma conferência de imprensa conjunta , na véspera do jogo. Este ano , com toda a certeza , a intenção dos organizadores seria a mesma. Só que os finalistas são Benfica e FC Porto. Preparem-se para ver Jorge Jesus e Nuno Gomes a falarem separadamente de Jesualdo Ferreira e Bruno Alves. Há coisas que nem a tradição consegue impedir.

3 - Já aqui o referi : se o Benfica vencer nas próximas duas jornadas do campeonato (Nacional e Braga) fica com o título na mão. Matematicamente ainda não , mas será quase impossível travar os encarnados num cenário destes. Daí a importância redobrada de deslocação da equipa da Luz à Madeira , já no domingo. Tal como o desafio de amanhã , em Braga , com a equipa de Domingos Paciência a receber um Rio Ave ao qual ainda não conseguiu ganhar esta época. Tudo isto já com pensamento em (tomem nota) 27 de Março.

4 - O Sporting tem este fim de semana uma oportunidade de ouro para agarrar , provavelmente em definitivo , o "objectivo quarto lugar". Se bater o V.Guimarães garante uma vantagem de cinco pontos que , gerida com alguma sensatez , deixará a equipa na posição que o presidente pretende. Simplesmente , Paulo Sérgio também sabe que esta é uma oportunidade de ouro igualmente para a sua equipa. Se vencer em Alvalade ultrapassa os leões e , a partir daí , tudo é possível. Depois de testes muito sérios a que o Sporting respondeu francamente bem (Everton , FC Porto , Belenenses e At.Madrid) este encontro com o Vitória acaba por ser , imagine-se , o jogo-chave de toda esta sequência. Se sair bem é a cereja em cima do bolo ; se sair mal pode ser o regresso ao ponto de partida.      

 

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A ilusão do empate

Colocado por mario.fernando em 12-03-2010 às 00h30

Um empate , apesar da sua aparente neutralidade , não significa sempre o mesmo. E quando se trata de eliminatórias , então , pode determinar até caminhos opostos. Benfica e Sporting empataram na Liga Europa , mas se o resultado dos leões é bom , já o dos encarnados nem por isso. De qualquer forma , não vale a pena deixarmo-nos iludir por estes cenários à partida. Já lá vou. Antes , os factos.

O jogo da Luz , por muito que isto custe aos benfiquistas , teve o desfecho certo. Nenhuma equipa foi , de facto , superior à outra , embora sofrer um golo ao cair do pano seja particularmente doloroso. Mas é preciso olhar para o todo e , aí , talvez se compreenda por que razão este primeiro grande teste europeu ao Benfica não correu bem. O Marselha , como o próprio Jesus avisara , é equipa de Champions. Portanto , tem jogadores de alto calibre que se podem bater sem problemas com os jogadores encarnados de calibre idêntico. E na primeira parte , por exemplo , viu-se mais Lucho que Aimar (muito por culpa de Cissé) e houve mais Brandão (que deixou a cabeça em água a Maxi Pereira) do que Di Maria (Abriel esteve sempre a controlá-lo). O Marselha conseguiu gerir a partida da forma que lhe era mais conveniente e , fazendo as contas , há três flagrantes oportunidades de golo para cada lado . Lucho , por duas vezes , e Brandão podiam ter marcado , tal como Cardozo , Aimar (um falhanço incrível) e Di Maria.

Em boa verdade , o empolgante Benfica a que nos habituámos só surgiu realmente nos últimos 20 minutos , já depois de Júlio César ter feito a (dupla) defesa da noite a remate de Niang. Veio o golo de Maxi , surgiu o "míssil" de Ramires à barra , o bloco ofensivo dos encarnados empurrou os franceses para a sua área e quase que assistíamos àquilo que os 45 mil fantásticos adeptos aguardavam. Só que , um erro , um simples erro , evitou que o Benfica conseguisse um óptimo resultado. Sim , se tivesse ganho por 1-0 teria sido um óptimo resultado , acreditem.

Já em Madrid , não foi óptimo mas bom. Ao sair em branco do Vicente Calderon , o Sporting pode dizer que conseguiu uma pequena proeza para quem jogou durante uma hora só com dez elementos (e uns cinco minutos só com nove). Não fosse aquele "chapéu" de Liedson ser devolvido pelo ferro e poderia falar-se de uma enorme façanha. Já agora , permitam-me acrescentar que Carvalhal ganhou tacticamente a Quique Flores. A jogar contra dez o espanhol não teve uma ideia (quatro defesas para um avançado?). Quique dispõe de jogadores de élite , mas não sabe o que fazer com eles. Dei comigo a pensar no que faria um treinador a sério com um fabuloso Aguero , mais Forlan , Reyes , Simão e por aí fora. Repararam na inconsistência colectiva do At.Madrid? Não vos fez lembrar o Benfica da época passada? Como é evidente , Carvalhal não tem culpa disso e a verdade é que , fazendo um jogo quase completo em 4x4x1 , o técnico português atingiu o objectivo. Bem pensado e melhor executado.

Voltemos ao ponto inicial. Fica a ideia de que o Sporting está numa posição favorável para o apuramento , mas o Benfica não. Formalmente , será assim. Mas cuidado porque , às vezes , as aparências enganam. Benfica e Marselha permanecem muito iguais e tudo vai depender da capacidade de concretização dos encarnados no Vélodrome. Jorge Jesus sabia que , qualquer que fosse o resultado na Luz , teria sempre de tentar marcar em França. Agora , não chega tentar , vai mesmo ter de o fazer. E se isso acontecer , o Benfica tem tantas hipóteses de qualificação como o adversário.

No caso do Sporting o problema reside em fechar o caminho da sua baliza. Como avisava Liedson no final da partida de Madrid , este 0-0 é bom mas perigoso. Os leões têm de arranjar a perícia necessária para marcar , mas impedir que o Atlético o faça. Não dava jeito algum estragar o trabalho da primeira metade da eliminatória.

 

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Escrever o destino

Colocado por mario.fernando em 09-03-2010 às 23h21

Dizem que só os treinadores sabem em que condições físicas e psicológicas se encontram os jogadores , porque trabalham todos os dias com eles. Portanto , quando Jesualdo Ferreira escolhe Nuno André Coelho para titular em Londres , no desempenho de uma posição que nem sequer é a dele , depois de não ter tocado na bola uma única vez no campeonato (e , muito menos , na Champions) , o mínimo que se espera é que a opção supere a surpresa que causou em toda a gente. E que resulte.

Jesualdo , apesar do descalabro frente ao Arsenal , continua a sustentar que foi uma escolha pensada e consciente. Está no seu direito. Não questiono que tenha sido pensada e consciente , digo apenas que foi errada. O que se viu na primeira parte do jogo do Emirates Stadium andou perto de um desconcerto total do meio-campo do FC Porto , de tal maneira que o técnico pode agradecer a Helton por não estar já na chapa-cinco no final dos 45 minutos iniciais.

Para a segunda metade (pelo menos com meia-hora de atraso em relação ao que seria necessário) , o treinador portista lá teve de virar tudo do avesso com a entrada de Rodriguez , a saída de Nuno André Coelho , o reajustamento de Raul Meireles e , na prática , a alteração do modelo de jogo. Mas não resisto a lembrar que Wenger , ao ver o "passador" em que se tornara o lado direito do Arsenal , colocou Eboué no terreno e "trancou" as boas intenções do FC Porto. Quer dizer , o técnico francês reagiu na hora , porque estava a ganhar 2-0 e não podia correr o risco de sofrer um golo. Exemplar.

Depois , veio ao de cima o valor individual dos jogadores. O que Nasri fez (isto é , tirar do caminho Rodriguez , Meireles e Pereira de uma só vez!) é digno de figurar em qualquer antologia. Foi o golo que acabou com a eliminatória e, por muito que custe , acabou de forma notável.

Jesualdo lamenta-se da falta de sorte , pois o FC Porto podia ter reduzido para 2-1 naqueles óptimos dez minutos iniciais da segunda parte , mas teve azar. Ainda por cima , "eles" não falhavam de cada vez que chegavam à baliza portista. É uma forma algo redutora de ver as coisas. E por uma única razão : quem escreveu o destino desta partida foi o próprio Jesualdo com as escolhas que fez. Aliás , creio que o técnico terá escrito , inclusivamente , o seu próprio destino.  

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