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Ricardo Araújo Pereira
Ricardo Araújo Pereira nasceu em Lisboa, em 1974. Em 2003, juntamente com Miguel Góis, Tiago Dores e José Diogo Quintela, formou o grupo humorístico Gato Fedorento. Escreve crónicas na revista Visão e no jornal A Bola. É o sócio nº 17.411 do Sport Lisboa e Benfica.
Pedro Mexia
Pedro Mexia nasceu em Lisboa, em 1972. Licenciado em Direito pela Universidade Católica. Entre 1998 e 2007 fez crítica literária no Diário de Notícias. É desde 2007 crítico no jornal Público, onde também assina uma crónica semanal. Exerce actualmente as funções de Director interino da Cinemateca Portuguesa. Publicou seis livros de poemas (o mais recente é «Senhor Fantasma», 2007) e quatro de prosa (o último foi «Estado Civil - Diário de uma Crise», 2009).
João Miguel Tavares
João Miguel Tavares nasceu em Portalegre há 35 anos e rumou à capital em 1991. Licenciou-se em Ciências de Comunicação após uma passagem fracassada pela Engenharia Química. Entrou para o Diário de Notícias em 1998 e saiu em 2007, para fundar a revista Time Out. Alimenta colunas de opinião no DN e na Notícias Magazine. Vive com a mulher e os três filhos em Lisboa.
Colocado por governosombra em 19-11-2009 às 00h24

Estive a ler o artigo de João (José) Miguel Tavares sobre este pequeno busílis do caso face-oculta no DN.

Da leitura desatenta e diversas vezes interrompida pelo senhor da Nespresso apercebi-me da grandeza da exposição.

Pois o PM (José Pinto de Sousa) fez (ou terá feito) falta fora da grande área, tendo provocado a queda do jogador adversário, posteriormente, dentro da mesma.

O fiscal de linha viu o sucedido mas como se tratava de um disputado jogo da Liga Europa aguardou a decisão do seu colega da linha de fundo.

Não se entendendo chamaram o árbitro do encontro para saber se era ou não grande penalidade.

O senhor árbitro declamou algumas leis do jogo e disse que não era falta para penalty coisa nenhuma, aliás, nem falta era, o mariquinhas do outro é que se tinha atirado para o chão.

O fiscal de linha então vociferou algumas teorias sobre a natureza da falta e a incompreensível falta de exactidão das leis do jogo.

No intervalo a equipa do Pinto de Sousa ganhava por uma bola a zero, muito embora todos que estavam contra o Pinto de Sousa afirmassem que só estavam a ganhar "de meio a zero". Miguel Matos, 36 anos, pseudo-economista, Algés



Colocado por governosombra em 18-11-2009 às 00h05

Sem qualquer explicação lógica explode-me um cruzamento de recordações com luso-factos actuais imaginando o tabuleiro de Monopólio rodeado de algumas personagens de que guardo um preconceito desavergonhado.

Então, na banca está o bem, isto começa a complicar-se, qual deles escolho? O do BPN, o do BPP, o do BCP, o do Banco de Portugal, ou o do… (já me arrependi de ter começardoeste jogo).

Ao lado esgrime-se uma acesa discussão entre um comum mortal que acaba de perder a Rua do Ouro para o Vale Azevedo, a quem tinha passado uma procuração para registar o cão na Junta de Freguesia.

Alguém constrói um outlet na Casa da Sorte gerando uma confusão entre primos que praticam karaté, escoceses, políticos e ecologistas.

A Bragaparques aproveita a confusão e constrói um parque de estacionamento na Casa da Partida sem levantar muitas ondas.

O único que tem um peão na Prisão, é um sucateiro que pisca o olho para os discretos que estão nas Casas da Caixa da Comunidade, Estações Ferroviárias, Companhia da Electricidade.

No tabuleiro, todas as Casas têm dono, recheadas de Hotéis. Estranhamente apenas na Casa do Vá Para a Prisão não se vê vivalma.

Ao fundo ouve-se a tremelga da porta batendo com violência – é o Procurador-Geral que bufa à porta da rua por não o deixarem entrar no jogo.

A confusão aumenta quando chega a vez dos putos da Casa Pia lançarem os dados que procuram de gatas debaixo da mesa.

Do apartamento da cave soa uma voz xopinha-de-maxa, com a boca cheia de bolo-rei: «Peço a todos os cidadãos o favor de fazerem menos ruído, ou ainda me acordam a Maria.»”

Finalmente o jogo termina quando chegam os repórteres todos. Todos, quer dizer… menos a Manela Moura Guedes.

p.s.- Sim, eu sei, omiti alguns jogadores, mas isto não pode ter o volume das 60.000 fotocópias confidenciais que o ministro levou quando se afundou do poleiro. Isso daria outro jogo interessante: a Batalha Naval (um submarino ao fundo!) José Simão Cordeiro, 47 anos, Coruche



Colocado por governosombra em 17-11-2009 às 00h09

Sócrates é um misto de spam com telemarketing. Consta que aparece amiúde em telefonemas e e-mails. Aborrece e chateia. Mas não serve para nada. Só é pena não o podermos apagar. João Martins, 37 anos, economista, Lisboa



Colocado por governosombra em 16-11-2009 às 07h43

A «camorrinha» do Largo do Rato não pára de alimentar os tablóides. «As fotografias dão conta de que estavam ambos numa zona de estacionamento, com os carros de alta cilindrada parados lado a lado, e cumprimentavam-se de forma efusiva. Depois, Godinho entregou a Armando Vara um saco de papel, com asas, e o ex-ministro sorriu depois de espreitar para o interior», in Correio da Manhã.

Eu, todos os dias me recordo das palavras de Vasco Graça Moura: «A vida dos portugueses é, e vai continuar a ser, uma verdadeira trampa, mas eles acabam de mostrar que preferem chafurdar na porcaria a encontrar soluções verdadeiras, competentes, dignas e limpas. A democracia é assim. Terão o que merecem e é muitíssimo bem feito. O País acaba de mostrar que prefere a arrogância e a banha de cobra. Pois besunte-se com elas que há-de ter um lindo enterro.»

Fico a imaginar as belas gargalhadas que VGM deve dar todas as manhãs ao passar os olhos pelos jornais. Besuntemo-nos, pois. Francisco José, 33 anos, gestor, Barcelos



Colocado por governosombra em 14-11-2009 às 10h46

«O rei dos matraquilhos»

in Como se dá voz aos nossos pensamentos, por RS

Acabo de ouvig, pela pgimeiga vez, o pgogama Govegno Sombga. É impgessão minha ou um dos colabogadoges, João Miguel Tavages, não diz os "r"s? E o GAP não goza?



Colocado por governosombra em 14-11-2009 às 10h43

Portuguese author launches Comics book about Israel

In TEDxEdges, por André Marquet

I was listening to the podcast of "Governo Sombra" and at the end of the show, one of the radio hosts recommended the comics book "The Israel Sketchbook" that has been launched at the Portuguese Comic festival that took place in Amadora, near Lisboa, Portugal.

The drawings are really beatiful and full of colour and are able to capture Israel life (some of them feel like photos), as you can check at Ricardo Cabral (the author) blog: http://theisraelsketchbook.blogspot.com

As far as I've seen from his blog, the book tells about the experience of a Portuguese, the author, and his personal journey of discovery of Israel, which he visited for the first time in 2007, in the words of Ricardo Cabral:

"I went to the first time to Israel in late August, 2007. I was a very surprised with its cosmopolitan life, its young people, the cafes, the shops, the boulevards, the slightly degraded facades of its Bauhaus style buildings, which made them so interesting, so alive, so human. Apart from all the 'war and terrorism' (thank you, mass media), Israel is an ordinary place. My drawings are done from life and try to show daily life in Israel, mostly Tel-Aviv. The Israel Sketchbook is an on going project."

You can buy the book on most book stores (I bought mine in Residence Saldanha - a little bit expensive at €19).



Colocado por governosombra em 13-11-2009 às 00h34

Não se me oferece dizer nada a não ser que melhor que uma oposição a governar, só um governo sombra desgovernado. Jorge Solano, 28 anos, jurista, Porto



Colocado por governosombra em 12-11-2009 às 18h42

Essa coisa de fazer parte do Governo não me atrai muito. Ganha-se pouco. Gostaria de ser gestor de uma empresa pública nomeado pelo governo sombra. Ricardo Clemente, 37 anos, gestor, Lisboa



Colocado por governosombra em 12-11-2009 às 00h14

Uma vez que o aumento da produtividade é o objectivo de qualquer governo, que tal analisar o impacto no PIB das constantes vitórias do Benfica este ano? Luis Morgado, 36 anos, contabilista, Charneca Caparica



Colocado por governosombra em 11-11-2009 às 00h03

Mostraram no programa alguma estranheza pela designação da operação «Face Oculta».

Se souberem o que é a «Face Oculta» talvez achem mais piada ao nome.

«Face Oculta» é o nome do bar de alterne onde aqueles senhores se encontram, na Praia da Barra, em Aveiro.

Quem pagava as contas no bar? Não, não era o Sr. Godinho. Não! Éramos todos nós. Alice Torres, 49 anos, professora, Gaia

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Não será este só mais um caso para fazer uma boa novela à moda governamental em que no fim fica tudo em águas de bacalhau? Nuno Araújo, 30 anos, Porto

 



Colocado por governosombra em 10-11-2009 às 17h39

Foi fantástico o debate na Assembleia da República. Tive o prazer de o ir ouvindo e chego a uma conclusão: para quê a Assembleia com tantos deputados?

Já sabemos antecipadamente o que vai acontecer: todos se tratam por Sr. Doutor, Sr. "Enginheiro", “caro deputado”, para basicamente o Sr. Engenheiro Sócrates se limitar a dizer que todos se esquecem que foi o PS que ganhou, que a aposição «é uma cambada de velhinhos com Alzheimer, de tanto esquecimento do passado», só faltando anunciar que vai apoiar um CTRIP – Centro de Terceira Idade para Políticos.

Já a oposição diz que o Sócrates não é humilde, que se esquece (outro candidato ao CTRIP) que perdeu a maioria absoluta, e que tudo o faz é mau.

Em suma, ficou tudo na mesma, ainda perdemos um domingo sem ver o Benfica jogar para irmos votar, sem efeitos práticos. Nuno Correia, 39 anos, gestor, Maia



Colocado por governosombra em 10-11-2009 às 00h02

Caro João Miguel Tavares, esse seu comentário no último programa sobre o dogma da Imaculada Conceição de Maria é digno do melhor livro de Saramago.

Pelos vistos o senhor também pertence aos 99% de portugueses que não sabe o que é este dogma da Igreja.

«No momento do truca-truca dos pais de Maria o pecado original não esteve presente lá»- mas o que é isto? Que tamanha ignorância...

Foi um momento Caim deprimente. Lufigool, 28 anos, desempregado, Lousada



Colocado por governosombra em 09-11-2009 às 18h16

Cada vez mais acintoso. Fantásticos. Carlos Pereira, 40 anos, docente, Ponte de Sôr



Colocado por governosombra em 09-11-2009 às 00h11

O governo, na questão dos crucifixos, para ser realmente consequente, deveria, em nome do laicismo oficial, impedir os alunos de se benzerem antes dos testes.

Dessa forma o governo acabaria com a ideia ridícula de que crendices religiosas podem ajudar a ter boas notas, quando toda a gente sabe que os resultados escolares dependem da importância de apresentar boas estatísticas na OCDE.

Os professores receberiam também indicações claras para não usarem expressões como: «Oh valha-me Deus!» ou «Ai minha Nossa Senhora» dentro das instalações escolares.

Deveria ser pedido particular cuidado aos docentes para não proferirem interjeições com elementos cristãos quando se cruzem nos corredores com ateus ou membros de outras comunidades religiosas (mesmo que estes ameacem o professor com uma navalha de ponta-e-mola) para não afectar a sua especificidade cultural.

Eu sei, já lá vão quase 4 anos, mas vale a pena recordar um artigo publicado no Diário de Notícias de 2 de Dezembro 2005, por um elemento do Governo Sombra, João Miguel Tavares: «Eu só quero que me expliquem isto: porque é que ter um crucifixo pendurado na parede de uma escola é uma ofensa à laicidade do Estado e um atentado à Constituição, e já não é uma ofensa à laicidade do Estado nem um atentado à Constituição o país inteiro prestar homenagem, através de um dia feriado, ao nascimento de Jesus (Natal), à morte de Jesus (Sexta-feira Santa), à ressurreição de Jesus (Páscoa), à celebração da Eucaristia (Corpo de Deus), aos santos e mártires da Igreja (Dia de Todos os Santos), à subida ao céu de Maria (Assunção de Nossa Senhora), e até ao facto de a mãe de Jesus, através de uma cunha de Deus, ter-se safado do pecado original no momento em que os seus pais a conceberam (Imaculada Conceição). Na próxima quinta-feira, dia 8 de Dezembro, o Estado português vai curvar-se alegremente diante de um dogma de alcofa inventado no século XIX por uma Igreja acossada pela secularização, mas até lá entretêm-se a subir ao escadote para remover cruzes de madeira, esses malvados instrumentos que instigam à conversão religiosa. Em Portugal, já se sabe, a lógica é uma batata. Por mim, podem limpar as escolas de todos os crucifixos, e, já agora, que se aproxima essa perigosa quadra para o laicismo do Estado chamada Natal, podem proibir também os presépios e até a apanha de musgo. A única coisa que me incomoda neste pequeno psicodrama é que o Ministério da Educação perca o seu tempo a expelir circulares muito legais, muito constitucionais e muito burras. O senhor que está pendurado nos crucifixos não é apenas um símbolo religioso - é também um símbolo civilizacional, que atravessa todo o Ocidente através da pintura, da literatura, da música, da arquitectura, do teatro, do cinema. Mais do que propaganda católica, o crucifixo faz parte da nossa identidade e é uma chave para compreender os últimos 21 séculos de História. Não tem a ver com fé. Não tem a ver com Deus. Tem a ver connosco.»

A intolerância é uma prova de falta de inteligência e de cegueira. E a demonstração de que a história e a tradição são desprezíveis para certas mentes, tal o ódio que destilam perante a Igreja. Mas como católicos, não é tanto de tolerância que temos necessidade, mas de respeito. Pedro Oliveira, 36 anos, padre, Marco de Canaveses



Colocado por governosombra em 06-11-2009 às 00h02

O Governo Sombra tem de ter mais atenção à justiça e à Administração Interna. A polícia portuguesa é incompetente.

Perante um distúrbio de um bando de cem marginais, a polícia, quando chega e tem de usar a força, acerta sempre no catequista, no jovem do Centro Cívico ou no escuteiro.

Quanto aos juízes ainda são piores. No caso Apito Dourado só levou a julgamento inocentes. No caso Casa Pia só prendeu inocentes. No caso Freeport são novamente os inocentes os atacados. No caso BPN investigam e prendem inocentes.

Agora no caso Face Oculta a mesma coisa. O Governo Sombra tem que olhar para estes problemas. Augusto Silva, 42 anos, farmacêutico, Maia



Colocado por governosombra em 05-11-2009 às 18h00

Parece que os bancos têm sido albergue para muito boa gente. Vejam-se as últimas: (a)vara no BCP, o louro no BPN. Haverá mais? Chiça! Há gente que não descola. M. Riacho, 43 anos, bancário, Vila Real



Colocado por governosombra em 05-11-2009 às 00h07

Depois do debate Saramago/Carreira das Neves, na tv nacional, não chegou ao conhecimento geral a continuação do embate entre estas duas figuras públicas, mas ela deu-se. Quem mo contou foi esse não-acreditado deus do Olimpo, Baco, a quem os portugueses negam existência real, mas adoram e veneram, idolatrando-o nas suas formas líquidas. Como bom pai da lusa gente, não abandona os seus descendentes e mantém-se por cá, observando e mantendo vivo o seu culto.

Baco contou-me o que se passou logo a seguir ao debate televisivo. Pelos vistos, e de forma secreta, Saramago e Carreira das Neves haviam combinado um combate de boxe, do estilo «vale-tudo».

Pensaram, em primeiro lugar, defrontar-se no famoso «Caesar´s Palace», em Las Vegas, mas seria muito complicado transportar todos os apoiantes ao mítico local. Assim, decidiram-se por um pavilhão onde treinavam alguns boxeurs amadores.

Tudo combinado e, à hora certa, lá aparecem os dois opositores, no ringue. De um lado, Saramago, com as peles caídas, a cabeça calva e os oculinhos para ver bem o adversário. Do outro lado, em melhor condição física, Carreira das Neves, já saltitando, fazendo esvoaçar a grenha seca e cinzenta, e, estranhamente, segurando a Bíblia na mão.

O povo aplaude e é curioso notar os apoiantes dos contendores. Numa metade do pavilhão, estão os apoiantes de Saramago: ateus, comunistas, Pilar del Rio, o presidente do grupo Leya, António Costa, Carvalho da Silva e um considerável número de estudantes do Ensino Secundário.

Baco contou-me que se disfarçou de jornalista do programa religioso «Ecclesia» e foi entrevistar os apoiantes saramaguianos, enquanto os dois oponentes não começavam o combate.

Começou por questionar António Costa sobre o motivo do apoio a Saramago, sendo ele crente em Deus. Costa limitou-se a dizer que uma mão lava a outra e lembrou o recente apoio de Saramago.

Ao seu lado, estava o sindicalista e militante comunista, Carvalho da Silva, que, interrogado  sobre o mesmo, disse, amavelmente, que estava ali para apoiar o camarada comunista.

No preciso momento em que profere estas palavras, um jovem estudante fez-se ouvir com estas palavras dirigidas aos amigos: «Olha, o velhote da meia cabeleira seca, o da Serra da Estrela, acho que o vi na companhia da Ministra da Educação. Vais ver que também é do PS».

Carvalho da Silva, ao ouvir, sem querer, estas palavras, deixou inexplicavelmente a companhia de António Costa e foi sentar-se no meio da claque de apoio ao teólogo, passando a apoiá-lo, em vez de apoiar o seu camarada de partido.

Baco aproveitou este instante e entrevistou aquele que parecia ser o líder e porta-voz dos estudantes do secundário. Segundo este, os estudantes estavam ali para apoiar Saramago por ele ser uma grande fonte de inspiração para todos. Queriam, no final, chegar à conversa com o escritor e pedir-lhe que continuasse a escrever sem pontuar correctamente, mas também que começasse a não acentuar as palavras e que desse erros ortográficos, para que fosse assumida a sua escrita como o exemplo a seguir por professores correctores de testes e de exames. Estavam ouvidos os apoiantes do Nobel.

O imparcial Baco, disfarçado de jornalista por artes deíficas, foi então escutar o entusiástico grupo de suporte à vitória do padre Carreira das Neves. Dele constavam padres, frades, freis, monges e freiras e alguns anti-Saramago de longa e curta duração, como o antigo Secretário de Estado, Sousa Lara, e o euro-deputado do PSD, Mário David.

Por cavalheirismo, Baco entrevistou primeiramente uma freirinha, procurando conhecer as motivações do seu apoio a Carreira das Neves. A freirinha, muito espontaneamente, disse que o apoiava porque a Madre Superiora lhes tinha prometido que, se o fizessem, as deixaria ver o filme «Cartas de amor de uma freira portuguesa», do realizador Jess Franco, com a participação de Ana Zanatti.

Imediatamente, a Madre Superiora acorre a abafar a noviça, dizendo-lhe que é um filme que revela as cartas de amor dirigidas a Jesus, com total devoção e religiosidade, por uma puríssima freira de tempos passados.

O passo seguinte foi entrevistar um dos religiosos presentes. Acercando-se Baco de um deles, fez-lhe a mesma pergunta. Este informou-o de que em troca do apoio lhes tinham prometido assistir ao filme «Freiras perversas», de Walerian Borowczyk.

Logo, logo, um religioso mais velho, talvez um diácono, se levanta e diz bem alto: «Freiras perservas! Feiras perservas, é esse o nome do filme. Este nosso frei é disléxico e troca as sílabas das palavras. É um filme que retrata a perseverança e a preservação com que as freiras presenteiam Deus nas suas orações e na pureza dos seus actos.»”

O combate aprestava-se para o início. Baco ter-se-á espantado, nesse momento, com a visão do árbitro. Estava fantasiado de Jesus Cristo, mas tão bem, tão bem que parecia o original. O gongo soou e o prélio teve início.

Do lado esquerdo, Saramago, tentando a custo levantar o braço para poder desferir o seu potente bofetão de direita em suspensão. Na oposição, está, estranhamente, Carreira das Neves, lendo uma passagem do Novo Testamento e, quando levanta o olhar, a direita esbofeteante de Saramago atinge-o na face esquerda.

Sem hesitar, o teólogo oferece-lhe a outra face e o valente Saramago, um pouco em câmara lenta, esbofeteia-o na face direita com o seu não menos famoso chapadão de esquerda política. Saramago vai dançando um «slow-fox» na pista e pontapeia a canela esquerda de Carreira das Neves que, imediatamente, estica a perna direita para que Saramago o possa pontapear à vontade, o que ele faz, desferindo um violento pontapé octogenário.
 
Correia das Neves continua a ler o Novo Testamento e o árbitro, o fantasiado de Jesus Cristo, continua sem intervir, assistindo ao massacre.

Saramago dá um sopapo na barriga do adversário e este vira-se para ser esmurrado nas costas. Não terá sido bem um murro, foi mais um empurrão, mas o suficiente para lançar Carreira das Neves ao tapete, embatendo em cheio com o nariz na Bíblia, que se tingiu de vermelho.

O gongo soou, indicando o fim do 1º round, e cada um se dirigiu ao seu canto, revelando o defensor da Igreja algum atordoamento ao pôr-se em pé. É, então, que algo de fascinante acontece. Começa a aparecer uma figura de aspecto divino, algo nunca visto, uma sumptuosidade de ser.

Era, só podia ser, Deus. Deus tinha vindo apoiar Carreira das Neves e estava, então, a limpar-lhe o suor e o sangue do rosto e da Bíblia e a dar-lhe algumas indicações ao ouvido.

O discípulo de Deus olha para a sua Bíblia e começa a folheá-la, parando na parte inicial. Detém-se na leitura do Velho Testamento e, quando o gongo soa, levanta-se com um ar triunfante e dos seus olhos, agora flamejantes, brilham imagens de fogo e destruição. Parecia, em pose, um super-guerreiro das Cruzadas.

Saramago já está de pé, o corpo franzino e debilitado pelo esforço do primeiro assalto, mas confiante na vitória final.

Para ele avança o novo Carreira das Neves que, depois da nova táctica dada por Deus, lê o Novo Testamento e se apresta para investir com total sentimento de vingança.

Carreira das Neves avança para Saramago e, enquanto diz «Olho por olho, dente por dente», aplica um cristianíssimo gancho de direita «à Velho Testamento» no queixo frágil do escritor herege que, depois desta, nunca mais o articulará para blasfemar.

Saramago tomba solidamente no chão e o árbitro (já ninguém duvida que é Jesus) acerca-se dele piedosamente e presta-lhe auxílio, dando o combate por findo, com vitória por KO de Carreira das Neves.

Depois dos efusivos festejos do vencedor e seus adeptos, Deus vai ter com Jesus, agarra-o pelo braço e diz-lhe que está na hora de cortar o cabelo e de fazer a barba, porque a moda «hippie» já era. Paulo César Pereira, 37 anos, professor, Braga



Colocado por governosombra em 04-11-2009 às 16h55

Parece que nos últimos dias Sócrates ganhou quase tanta notoriedade pública como Saramago, ou vice-versa: um por abafar a liberdade de expressão, o outro por a sustentar escandalosamente.

Temos de nos decidir a assumir uma posição. Esta historia de se darem abraços aos amigos e aos inimigos está a pegar moda ‘tuguesa. Leonor Martins, 30 anos, advogada, Lisboa



Colocado por governosombra em 04-11-2009 às 00h09

Os meus amigos sabem que eu pouco ou nada ligo ao futebol. Não se trata de uma virtude, tão pouco de um grave defeito. É assim, pronto, fui deixando de lhe ligar, com naturalidade, quase sem dar por isso e isto começou por volta dos finais da infância.

[…] Às vezes sei os resultados dos jogos, de alguns jogos, quando estou a ver o noticiário nas televisões. Fico mais culto de repente e por mero acaso.

Bem assim como ouço os eventuais comentários, antes ou depois de um desses importantes acontecimentos, uma coisa que os treinadores sempre inteligentemente fornecem às entrevistas que lhes facultam.

Não sei porquê, talvez a pensarem em pessoas ignorantes como eu, ou mesmo nas dúvidas metafísicas e angustiantes de cada um, uma necessidade meritória, enfim, de serem úteis, de esclarecerem as pessoas.

Que vamos jogar para ganhar, que a vitória é o único resultado que interessa, que não nos interessa a derrota, que somos onze e dispomos de uma bola. (Às vezes também nos elucidam que a bola é redonda).

Ou então, que estivemos bem até ao intervalo, que não merecíamos, que a vitória esteve ao nosso alcance e que houve «jogo jogado» (esta é das mais profundas), que se não fosse aquele remate, que se não fosse aquela lesão, que jogámos com empenhamento, sacrifício e força anímica, etc.

Há uns dias o Sporting empatou com o Marítimo e o Real Madrid perdeu por quatro a zero com um mija-na-escada-futebol-clube qualquer, da terceira divisão. Alguma coisa se quebrou no interior, na alma de muitos de nós.

Parece que qualquer destes acontecimentos, cada um à sua escala, naturalmente, abalaram os alicerces do futebolismo, dos comentadores, dos opinadores, dos entrevistáveis, etc. e de todos os futebolisteiros que se prezam, que são quase todos do Benfica, do Sporting ou do Porto, como é do geral conhecimento.

Nem sei se há adeptos de outros clubes, que são uma coisa assim como que quase virtual. Não consigo imaginar uma claque, por exemplo, do Desportivo das Aves. Ou seja, mas que tempos são estes, que moral vigente é esta, que desígnios, que treinadores, que jogadores são estes, do Sporting e até do Real Madrid, que se atreve a empatar ou mesmo a perder (a perder, calcule-se!) com clubes destes?

Com porcarias de clubes destes, cujo único desígnio, cuja única razão de existência é, como se sabe, permitir que haja jogos de futebol, é fazerem apenas parte do cenário, da paisagem futebolística, estarem ali para perder ou muito, mas muito eventual ou raramente, empatar?

Como se atreveram a empatar? E a ganhar? Então os «clubes grandes» - é assim que se diz, na gíria - gastam milhões de milhões, sabe-se lá com que sacrifícios, os pobrezinhos, para afinal virem a empatar ou mesmo a perder (perder, o Real Madrid, imagine-se, aquilo é quase como se fosse «nosso») com clubes destes? Isto é inaudito.

E eu sei da incredibilidade e da revolta reinantes porque não deixo nunca de ouvir e auscultar o povo, pelos cafés e restaurantes que frequento, o qual, muito justamente também não entende. E sofre. Sofre pelos clubes grandes, que gastam afluentes e sub-afluentes de dinheiro, por isso mesmo o povo sofre, tem pena do dinheiro que se gastou (e sabe-se lá o que deve ter custado a ganhar) e afinal tão mal empregado foi, naqueles crápulas daqueles jogadores caríssimos e naqueles treinadores carérrimos!

E vem aí de repente um Marítimo qualquer e empata com o Sporting! E aparece um qualquer clube obscuro da terceira divisão e ganha ao Real Madrid!

O povo acha instintivamente injusto este estado de coisas, esta distribuição e relação pouco equitativa de riqueza versus resultados, e baixa cruamente o polegar, condena à morte os treinadores que antes aclamara em delírio, pelas arenas.

É pois natural que se revolte, que já não acredite nos políticos nem nas instituições, que faça manguitos políticos, que não vá votar, que se abstenha, pois claro.

Pobre país este, que qualquer dia, se isto continua (clubes da treta a empatar e a ganhar aos grandes, aos autênticos, onde já se viu) acabará por se revoltar, e com toda a justiça, num novo 25 de Abril nunca antes imaginado. Carlos Reis, Lisboa



Colocado por governosombra em 03-11-2009 às 19h51

Um estranho sentimento se apossou de mim depois das autárquicas e não mais me largou. Desde então sinto-me oeirense, e o mais estranho é que sou nado e criado no norte de Portugal.

Eu sei que podia sentir-me bracarense, gondomarense ou até madeirense, mas não. Sinto-me mesmo oeirense, talvez devido ao facto de ser licenciado, sei lá... Francisco José, 33 anos, gestor, Barcelos



Colocado por governosombra em 03-11-2009 às 15h10

Governo Sombra, meus caros amigos, espero que esta mensagem vos encontre bem de saúde, após a pratada que comeram no sábado em Braga. Se for preciso, há «rennie».

Ricardo, já não precisas de ser ministro, agora só se fores primeiro-ministro para o SLB ser já campeão por decreto.

Agora a sério, meus amigos, façam o vosso papel essencial para esta sociedade corrupta: falem do Vara, das sucatas, das licenciaturas: ah, o Vara foi "colega" do outro.

Sejam o verdadeiro Governo Sombra, pois se assim não for vão mesmo alienar parte dos vossos ouvintes fiéis. João Pedro Lopes, 37 anos, advogado, Porto



Colocado por governosombra em 03-11-2009 às 00h03

O Ricardo Araújo Pereira tem um problema grande com o FC Porto. Apesar de gostar do programa, aconselho esse senhor a fazer terapia, pois acho que embora ele tenha algum estatuto isso não lhe dá o direito de ser constantemente um cretino em quase todos os programas. José Silva, 26 anos, mecânico, Braga



Colocado por governosombra em 02-11-2009 às 20h45

Nós durienses precisamos de alguém que faça ouvir o nosso descontentamento, com políticas sérias e que tragam mais benefícios reais para a nossa terra. Paulo Eduardo Rebelo Figueiredo Peixoto, 48 anos, empresário, Vila Real



Colocado por governosombra em 02-11-2009 às 18h42

Enquanto governo, acho que deveriam pensar seriamente, em pedir ao padre de Boticas para ser consultor externo no negócio dos helicópteros para o Exército. João Salgado, 25 anos, estudante, Viseu



Colocado por governosombra em 01-11-2009 às 18h42

 

«(…) ouvia sempre o programa dele, à noitinha, anotava nomes, entusiasmava-me com uma linha de baixo ou um refrão impiedoso. Gostava da paixão sereníssima daquela voz, daquela selecção irrepreensível, emocionava-me e aprendia. Recentemente encontrava-o às vezes no Snob, ao balcão, e por timidez não lhe agradecia, nunca lhe agradeci, e agora é tarde, ou talvez não seja.» Pedro Mexia, in A Lei Seca.



Colocado por governosombra em 30-10-2009 às 00h04

Grande Vara! Não, não é um comentário sobre o novo governo, é sobre o Vara mesmo. Ele há malta com jeito para isto.

Estas coisas só deviam vir a público depois do trânsito em julgado. Assim é uma espécie de ejaculação precoce e os suspeitos nunca se vêem inocentados, coitados. Marques de Azevedo, 45 anos, engenheiro informático, Campanhã



Colocado por governosombra em 29-10-2009 às 18h01

Temos que formar um partido no Douro para criar portagens virtuais para o que entra e sai.

Os partidos do regime esquecem-se que o Douro contribui imenso para o país e só falam das migalhas que reenviam para cá.

Queremos que o Governo Sombra reúna de emergência pois vamos pedir a independência caso não sejam criadas as portagens virtuais. Carlos Agrelos, 47 anos, funcionário público, Douro



Colocado por governosombra em 29-10-2009 às 00h08

O humor, especialmente o que tem piada, como o vosso, protege as coronárias e a vasculização pudenda... Continuem (os quatro). João F. Abreu, Médico, Linda-a-velha



Colocado por governosombra em 28-10-2009 às 18h56

O Governo Sombra e os Gato Fedorento vão-me mantendo ligados ao que se faz em Portugal. Obrigado! André Barbosa, 33 anos, engenheiro civil e estudante de doutoramento, La Jolla, CA, USA.



Colocado por governosombra em 28-10-2009 às 00h09

Cavaco Silva, continuando a usar singularmente a terceira pessoa do singular como só ele sabe, declinou o convite feito pelos Gato Fedorento para estar presente no popular programa, afirmando entender que «o Presidente da República não deve entrar em programas deste tipo».

A opinião pública está absolutamente dividida, mais uma vez bipolarizada, perante esta importante notícia.

Os pessimistas acham que a figura triste que ele lá iria fazer, ultrapassaria em muito e insanavelmente, todas as figuras tristes que faz normalmente em discursos, análises ou declarações políticas, o que seria horrível (ainda mais horrível) para a sua imagem.

E os optimistas pretendem que a presença do Presidente (graças ao seu reconhecido, inegável e inteligente humor, repentismo e espontaneidade) poderia vir a ofuscar a performance do Ricardo Araújo Pereira. O Presidente comunga de ambas as opiniões. Carlos Reis, Lisboa