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Vaticano nega que celibato seja responsável por abusos sexuais de clérigos

O Vaticano negou, este domingo, que a exigência do celibato para os sacerdotes seja a causa dos abusos sexuais dos clérigos que estão a abalar a igreja na Europa e defendeu a forma como o Papa está a lidar com a crise.

A sugestão de que as regras do celibato são, de alguma forma, responsáveis pelos «comportamentos desviantes» dos padres abusadores sexuais foi veiculada nos últimos dias em alguns jornais, tendo as mesmas sido questionadas.

Muito do furor foi impulsionado por comentários de um dos conselheiros mais próximos do Papa, o arcebispo de Viena, cardeal Christoph Schoenborn, que defendeu uma análise honesta de questões como o celibato e a educação sacerdotal para erradicar as origens do abuso sexual.

«Parte disto é a questão do celibato, assim como do desenvolvimento do caráter. E também uma grande parte da honestidade, na igreja e sociedade», escreveu Christoph Schoenborn na edição online do jornal da diocese.

O gabinete do arcebispo apressou-se a esclarecer que este não estava a pôr em causa o celibato sacerdotal, que só esta semana o Papa Bento XVI reafirmou como «expressão do dom de si mesmo a Deus e aos outros».

Christoph Schoenborn já se tinha mostrado receptivo aos argumentos de que o celibato é um problema crescente para a igreja, principalmente porque limita o número de homens que escolhem a ordenação.

Em Junho, Schoenborn apresentou uma proposta no Vaticano, assinada por proeminentes católicos australianos, a defender o fim do celibato e a possibilidade de homens casados poderem ser padres.

Nos dias seguintes ao editorial de Schoenborn, proeminentes prelados - na Alemanha e no Vaticano - deitaram abaixo qualquer sugestão de que as regras do celibato estejam relacionadas com o escândalo.

«Está demonstrado que não há nenhuma relação», escreveu num artigo Dom Giuseppe Versaldi, um professor emérito de direito canónico e psicologia na Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma.

«É sabido que o abuso sexual de menores é mais frequente entre os leigos e os que estão casados do que nos sacerdotes celibatários», escreveu.


 

 


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