O Conselho Executivo da Ordem dos Médicos vai votar, esta terça-feira, o parecer do Colégio de Psiquiatria sobre a homossexualidade. O documento defende que a homossexualidade não é uma doença mas ressalva que, se alguém pedir ajuda a um médico, este não deve negar um possível tratamento.
A Ordem dos Médicos vota, esta terça-feira, o parecer do Colégio de Psiquiatria sobre a homossexualidade. O presidente do Colégio de Psiquiatria da Ordem dos Médicos, Marques Teixeira, sublinha que o parecer não se limita à homossexualidade, tem um carácter mais amplo e garante que não há no texto qualquer defesa da tese de que essa ajuda deve apontar para uma reorientação dos homossexuais.
«O parecer foi feito a pedido do senhor bastonário tendo sempre como pano de fundo o melhor interesse dos doentes. O parecer é alargado e abrange todos os tipos de orientação sexual e centra-se sobretudo nos dados clínicos e científicos bem como no respeito profundo pelos direitos das pessoas que procuram os médicos», explicou Marques Teixeira.
António Serzedelo, presidente da Opus Gay, considera que a Ordem dos Médicos faz bem em definir um enquadramento que oriente os clínicos no atendimento a homossexuais. António Serzedelo assume mesmo que a sua experiência particular é de que essa pode ser uma ajuda fundamental.
«Os casos de homossexualidade reversiveis são pouqíssimos e estão sobretudo ligados ao fundamentalismo religioso. Mas também há muitos heterossexuais que passam para a homossexualidade e têm graves dificuldades nessa passagem. Precisam de ser apoiados e ao psiquiatra compete ajudar no crescimento dessa sexualidade», sublinha.
O bastonário da Ordem dos Médicos, Pedro Nunes, acredita que o parecer será aprovado porque está tecnicamente bem fundamentado, mas não presta declarações antes da reunião que está marcada para as 11h e deve terminar pelas 18h.