Quatrocentos textos inéditos do escritor espanhol Ramón Gómez de la Serna, a que este chamava “greguerías” e definia como a soma de humor e metáfora, foram encontrados nos Estados Unidos. Ramón Gómez deficiu as “greguerías” como a soma de humor e metáfora.
O poeta e prosador Ramón Gómez de la Serna (1888-1963) dedicou, durante toda a sua vida, três livros a este género próximo do aforismo e dos ditados (provérbios) que muitos consideram ter sido ele a criar.
Agora, depois da descoberta de uma série de manuscritos inéditos de Gómez de la Serna no arquivo de uma universidade norte-americana, uma editora espanhola publica as “Novas Greguerías”, 400 textos breves que verão a luz quase meio século depois da morte do seu autor.
Foi a investigadora Laurie-Anne Laget quem encontrou os textos, uma série de “greguerías” escritas entre 1958 e 1961, quando remexia na colecção de 60 caixas com manuscritos, apontamentos e livros anotados por Gómez de la Serna que actualmente estão à guarda da Universidade de Pittsburgh.
«Gómez de la Serna escreveu “greguerías” até aos seus últimos dias», revelou Laget.
Segundo a investigadora, encarregada de seleccionar os textos agora publicados pela editora La Fábrica, essas “greguerías” inéditas iriam ser publicadas num livro, mas a morte do autor - em Buenos Aires, em 1963 - impediu que tal acontecesse.
Nas primeiras décadas do século XX, Gómez de la Serna era conhecido, mais do que como escritor, como o autêntico «showman» da cena literária madrilena.
Enfrentado na Academia, com trejeitos teatrais e disposto a mascarar-se, usar bonecos ou gigantescas mãos como adereço para as suas apresentações públicas, foi o fundador e a principal atracção das tertúlias literárias do Café de Pombo.
Por lá, passaram figuras como Pablo Picasso, Pio Baroja ou o pintor Júlio Romero de Torres e foi também aí que conheceu um muito jovem Jorge Luis Borges, através do seu cunhado, o poeta e escritor espanhol Guillermo de Torre.
Em 1936, depois da eclosão da Guerra Civil em Espanha, Gómez de la Serna instalou-se em Buenos Aires, cidade onde tinha estado várias vezes para proferir conferências, e embora a sua relação com Borges tenha tido altos e baixos, Bioy Casares conta que Borges o considerava um «dos escritores espanhóis que deixaram melhores páginas».