Cerca de 200 estivadores dirigiram insultos contra o primeiro-ministro José Sócrates e fizeram rebentar alguns petardos numa manifestação frente ao Parlamento. A PSP já identificou os responsáveis por estes actos.
Cerca de duas centenas de estivadores manifestaram-se, esta quarta-feira, frente ao Parlamento, tendo sido lançados graves insultos contra o primeiro-ministro, o que levou à identificação de alguns autores destes insultos por parte da polícia.
Os agentes da PSP que faziam a segurança a esta manifestação também identificaram os responsáveis por alguns petardos que rebentaram frente à Assembleia da República.
Na manifestação, esteve António Mariano, do Sindicato dos Estivadores de Lisboa, explicou que a lei dos portos que está a ser discutida prevê que alguns dos trabalhos até aqui feitos por estivadores deixem de ser feitos por estes profissionais.
Este sindicalista não percebe como se vão criar novos postos de trabalho e mais plataformas logísticas, que já há muito deviam ter sido criadas, colocando nesses lugares «quem quer que seja».
«A argumentação do Governo é que esta lei não tem discussão pública, porque retiraram a parte que diz respeito ao trabalho. Só que na prática esta lei vai dizer que a operação vai ser restrita no âmbito», acrescentou.
A Confederação dos Sindicatos Marítimos e Portuários acusa o Governo de ter aprovado a proposta da lei dos portos «sem qualquer tipo de discussão formal com as associações sindicais» e alega que que o executivo pretende «uma liberalização encapotada» do sector.
Ouvido pela TSF, João Carvalho, do Instituto Portuário e dos Transportes Marítimos, recusou esta ideia e lamentou a greve dos estivadores, depois de ter estado à vista um enntendimento entre patrões e empregados.
«De repente, na sexta-feira, resolveram voltar atrás. Houve um último esforço aqui no Instituto, de segunda para terça, de tentar resolver a situação, mas os sindicatos recusaram liminarmente e portanto estamos numa greve que não tem a ver com postos de trabalho», explicou.
João Carvalho considerou ainda que a paralisação dos estivadores nada tem a ver com questões remuneratórias, operacionais, segurança, higiene e que poderá apenas ser provavelmente «uma greve política com alguém por trás», embora não consiga identificar quem possa estar na origem desta greve.