Vários políticos, entre os quais o presidente Lula da Silva, criticaram o arcebispo do Recife por ter decidido excomungar uma menina de nove anos, forçada a abortar depois de ter sido violada pelo padrasto, bem como toda a equipa médica responsável pela interrupção da gravidez.
Depois do ministro da Saúde, o luso-descendente José Gomes Temporão, e do titular da pasta do Meio Ambiente, Carlos Minc, esta sexta-feira foi a vez do presidente brasileiro, católico assumido, criticar a decisão do arcebispo do Recife, já aprovada pelo Vaticano.
Lula da Silva considerou que o essencial é a vida da criança e condenou que um bispo tivesse um comportamento tão conservador.
Na opinião do Chefe de Estado brasileiro, a medicina fez o que tinha de ser feito e a igreja não se devia pronunciar sobre este tipo de questões.
O arcebispo de Recife, D. José Cardoso Sobrinho, decidiu excomungar a criança, com apenas 30 quilos, e toda a equipa médica, depois de ter inviabilizado que a interrupção da gravidez fosse realizada num instituto materno-infantil de Pernambuco, para onde a criança foi transferida.
Os médicos que realizaram a intervenção já fizeram saber que voltariam a fazer tudo de novo, até porque todos os clínicos que observaram a menina consideram que ela não tinha condições para cumprir a gravidez.
A gravidez da criança foi conhecida no final de Fevereiro e o padrasto foi preso um dia depois, altura em que confessou que abusava da menina há três anos.
Manuel Villas-Boas, especialista da TSF em assuntos de religião, mostrou-se de acordo com as críticas de Lula da Silva.
«Não é suportável que um alto membro da hierarquia católica tome nas mãos a frieza de uma lei para aplicar desalmadamente sobre um caso que brada aos céus», considerou.