Num comentário ao facto de a ministra da Educação ter defendido o fim dos chumbos, o PCP e o BE não se opuseram à ideia, mas consideraram que o cenário não poderia ser a actual escola pública.
Em entrevista ao semanário Expresso, a ministra Isabel Alçada afirmou que a repetição de ano quase nunca é benéfica e defendeu formas de apoio aos alunos como um ritmo diferente.
O PCP e o BE não seriam contra o fim das reprovações, se não fosse o actual estado fragilizado da escola pública.
O deputado do PCP Miguel Tiago sublinhou que não é pela secretaria que se resolvem, nesta altura em concreto, os problemas que vão afectando o ensino público em Portugal.
«A escola pública está a ser desfigurada, fragilizada» com «mais tarefas e menos meios humanos e técnicos», e essa ideia significaria «optar por uma via de resolução administrativa dos problemas da escola, que atacará a qualidade e a exigência do ensino», disse.
Para o comunista, se o Governo aplicar essa medida nesta altura estará a «optar pelo facilitismo e pela via administrativa da resolução dos problemas, sem que eles na verdade sejam resolvidos».
Ana Drago concordou que os chumbos não são benéficos, mas defendeu que não podem acabar de qualquer maneira, tendo em conta que a escola hoje em dia não oferece condições para acabar com as reprovações.
«Não podemos discutir isto no sistema português como uma mera medida administrativa», parecendo que «a partir daqui serão tudo maravilhas», afirmou.
O bloquista frisou, contudo, que as reprovações não contribuem para o sucesso dos alunos e defendeu a necessidade de criar apoios e condições para melhorar a prestação dos alunos, como por exemplo turmas mais pequenas.