O Sindicato dos Magistrados do Ministério Público (SMMP) considerou, esta quinta-feira, que o Ministério Público, devido aos últimos desenvolvimentos do caso Freeport e a outras situações, «atravessa, provavelmente, a sua maior crise de sempre».
«São conhecidas e não são de hoje, nem de ontem, as críticas e as reservas que o SMMP faz relativamente à gestão e coordenação do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), que depende directamente do Procurador Geral da República», declarou à agência Lusa João Palma, presidente do SMMP.
As afirmações do dirigente do SMMP surgem no dia em que o jornal Público revela que os procuradores titulares do caso Freeport quiseram ouvir o primeiro-ministro, mas que os prazos impostos pela hierarquia do Ministério Público para o fim do processo não permitiram que José Sócrates fosse interrogado.
João Palma adiantou que os dois procuradores titulares do inquérito ao Freeport (Paes Faria e Vítor Magalhães) sabem que podem contar com o apoio do SMMP, quer «ao nível do patrocínio judiciário que entendam solicitar, se tal se justificar, quer relativamente a outras medidas que considerem necessários para a reposição da verdade dos factos e para salvaguarda da sua imagem pública».
Também esta quinta-feira, o Procurador Geral da República decidiu ordenar a curto prazo a realização de um inquérito «para o integral esclarecimento de todas as questões de índole processual ou deontológica» que o processo Freeport possa suscitar.