O líder do PSD defende uma parceria ibérica entre Portugal e Espanha para que os dois países possam mais facilmente ultrapassar a crise e afirmarem-se em novos mercados.
Não se trata de um novo Tratado de Tordesilhas mas de uma aliança entre dois países que precisam de exportar mais e que, no entender do presidente do PSD, devem procurar novos mercados em conjunto e fora do espaço europeu.
Pedro Passos Coelho não duvida do sucesso de uma parceria ibérica e apresenta como prova o processo de compra da Vivo pela Portugal Telecom (PT).
«Quando o processo da Vivo se iniciou, ele tornou-se possível porque houve um esforço conjunto de entrada naquele mercado. A PT sozinha não tinha conseguido fazer essa intervenção e a Telefónica não teria tido sucesso no Brasil sem a nossa ajuda», referiu.
Na plateia da Universidade Internacional Menendes Pelayo surgiu a dúvida sobre se pode nessa aliança a Espanha ser usada pela oposição portuguesa para criticar o Governo, como fez Manuela Ferreira Leite em relação ao TGV, o líder do PSD garantiu que não.
«Conheço suficientemente bem a Drª Ferreira Leite para saber que não há no pensamento politico que ela vem expressando, nenhum preconceito relativamente a Espanha. Creio que foi uma referência menos feliz, como menos feliz foram as afirmações que ministros do actual Governo fizeram para referenciar, por exemplo, uma resposta que eu dei a uma jornalista português, quando estive em Madrid, a propósito da utilização da "golden share"», referiu.
O presidente social-democrata defende uma forte presença espanhola na política externa portuguesa mas recusa comparações com José Sócrates que no primeiro mandato como chefe de Governo assumiu que as três prioridades para Portugal seriam: «Espanha, Espanha, Espanha».
«Em termos estratégicos penso que a política correcta é, partindo da base europeia, explorar duas alavancas que podem ser importantes: a da lusofonia e a da parceria com Espanha a pensar nos mercados», concluiu Passos Coelho.