O candidato à liderança do PSD Paulo Rangel apelou hoje à liberdade individual dos militantes nas directas de 26 de Março, lembrando que «cada militante é o senhor e o dono do seu voto».
«Cada um de vós é dono da sua própria mão, do seu polegar e do seu indicador, que segura a caneta que há de marcar o seu voto", sublinhou, defendendo que no momento de votar "não deve haver dirigentes nacionais nem internacionais, nem barões nem marqueses que possam pressionar o voto individual».
Na sua intervenção perante o XXXII Congresso do PSD, que decorre até domingo em Mafra, Paulo Rangel nunca mencionou os seus adversários na candidatura à liderança, mas deixou a convicção de que o próximo líder do partido será também «o dono do destino do país».
«É essa a nossa responsabilidade intransmissível, saber quem queremos para governar Portugal. Acredito que no dia 23 março vamos libertar o futuro de Portugal, eu acredito que todos vós também acreditam que comigo é possível libertar o futuro de Portugal», afirmou.
Paulo Rangel apelou também àquilo que apelidou de «dessocratização» de Portugal, dizendo que José Sócrates é «o rosto dos bloqueios da vida portuguesa».
«Se José Sócrates é o rosto dos bloqueios da vida portuguesa, então Portugal precisa agora mais do que nunca de uma verdadeira dessocratização», afirmou.
Num discurso quase exclusivamente centrado no ataque ao PS e ao Governo, Paulo Rangel defendeu que o PSD só vencerá eleições se for capaz de fazer uma ruptura com as políticas socialistas.
«O PSD tem de se distanciar do PS mas tem também de afirmar a sua absoluta independência e de ser capaz de estar acima desses interesses financeiros, económicos e corporativos que são a marca e a mancha dos governos do PS», declarou.
Lembrando as rupturas de Sá Carneiro, Pinto Balsemão e Cavaco Silva, Rangel defendeu que o partido se liberte da «teia de interesses instalados e negócios prometidos» que considera marcar a governação socialista.
«Temos de nos distanciar do PS e da política da propaganda, da falta de verdade, da omissão, da ilusão, que não só desacredita o PS mas todos os políticos», apelou, numa intervenção que foi por duas vezes interrompida pelos gritos de militantes «PSD, PSD».
Na sua intervenção, Rangel deixou um elogio à ainda presidente do PSD, Manuela Ferreira Leite, pela forma como conduziu os destinos do partido, «acima de todos os interesses, incluindo o individual».