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Ensino especial alvo de críticas

A Confederação de Pais e Associação Portuguesa de Dislexia querem que o Governo altere o funcionamento do ensino especial. O Ministério da Educação rejeita as críticas.

 

 

A Associação Portuguesa de Dislexia vai pedir, nos próximos dias, um encontro com a ministra da Educação, a quem quer apresentar um conjunto de propostas para o ensino especial.

A presidente da associação, Helena Serra, diz que com a classificação que foi introduzida pelo anterior Governo a grande maioria das crianças disléxicas deixou de receber apoios especiais.

«A classificação é cega, por exemplo no caso da dislexia quase todos ficaram de fora», afirma Helena Serra, lamentando que os professores nem sequer tenham formação para lidar com este tipo de alunos.

A Associação Portuguesa de Dislexia espera agora que a nova ministra esteja mais sensível para esse problema, aceitando colocar nas escolas um coordenador para os alunos que necessitam de um apoio especial.

Num estudo divulgado recentemente, a FENPROF denunciava que, com a mudança de regras, houve cerca de 20 mil crianças com necessidades educativas especiais que ficaram fora do sistema, a maior parte alunos disléxicos, hiperactivos ou sobredotados.

Manuel Rodrigues, da federação de professores, acusa mesmo o Governo de estar a comprometer o futuro de muitas crianças.

«É uma política que está a destruir percursos de vida», salienta.

A FENPROF denuncia também a falta de professores com formação adequada, mas o Governo rejeita todas estas críticas.

Filomena Pereira, a responsável do ministério da Educação pelo ensino especial, diz não ter recebido qualquer queixa, garante ainda não haver falta de professores e afirma também que, se há escolas com falta de meios, a culpa, nomeadamente no apoio aos alunos disléxicos, não pode ser atribuída ao Governo.

Apesar destas garantias do Executivo, as queixas contra as novas regras do ensino especial não partem apenas da Associação Portuguesa de Dislexia.

A Confederação das Associações de Pais, embora considere positiva a criação de escolas de referência para as crianças com necessidades educativas especiais, contesta o facto de ficarem muito distantes da grande parte dos estudantes que são assim obrigados a passar todo o dia longe de casa. Maria José Salgueiro diz que a Confap tem vindo a receber muitas queixas.

A Confederação das Associações de Pais reclama por isso um alargamento da rede de escolas de referência e sobre este ponto o Ministério da Educação demonstra alguma abertura.

Filomena Pereira não se compromete, mas admite que o Governo venha a dar resposta a este problema e diz que está também a avaliar a necessidade de alargar o número de escolas com ensino bilingue para crianças surdas.


 

 


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