O líder parlamentar do PCP, Bernardino Soares, insistiu hoje que o primeiro ministro deve dar «um esclarecimento ao país» sobre a alegada intervenção do Governo na intenção de compra da parte da TVI pela PT.
Em declarações aos jornalistas no Parlamento, o presidente da bancada comunista reagiu às declarações de José Sócrates, que hoje acusou a oposição de aproveitar o cometimento de um crime - a divulgação de escutas no âmbito do processo Face Oculta - para o atacarem e ao PS.
Bernardino Soares rejeitou esta acusação, afirmando que o PCP “sempre” condenou «a divulgação de material que estivesse em segredo de justiça e a divulgação abusiva de escutas».
Na edição de sexta-feira, o semanário Sol transcreve extractos do despacho do juiz de Aveiro responsável pelo caso Face Oculta em que este considera haver «indícios muito fortes da existência de um plano», envolvendo o primeiro-ministro, José Sócrates, para controlar a estação de televisão TVI e afastar Manuela Moura Guedes e José Eduardo Moniz. Do despacho constam transcrições de escutas telefónicas envolvendo Armando Vara, então administrador do BCP, Paulo Penedos, assessor da PT, e Rui Pedro Soares, administrador executivo da PT.
«O primeiro ministro continua a não dar explicações sobre o conteúdo das matérias que foram reveladas, que são da maior gravidade. Independentemente de outras considerações acerca da sua divulgação, aquele conteúdo, aqueles factos que não são desmentidos pelo primeiro ministro exigem um esclarecimento ao país», sustentou Bernardino Soares.
Sócrates considerou ainda que os partidos da oposição «foram longe demais» nas suas tomadas de posição, que constituem, declarou, um ataque à Justiça.
«É absolutamente lamentável que um político tenha que lembrar a outros políticos que é preciso respeitar a separação de poderes», salientou o primeiro ministro.
Na resposta, Bernardino Soares afirmou que «o senhor primeiro ministro pode ter as opiniões que entender sobre o que é que é político e o que é que é judicial» e ressalvou que o PCP não pretende imiscuir-se «naquilo que é o trabalho da Justiça", mas "há matérias políticas para esclarecer», declarou.
«Precisamos de saber o que é que o senhor primeiro ministro tem a dizer sobre os factos que foram revelados publicamente de “démarches”, de conversas suas, indicações que terá dado sobre matéria da comunicação social. Esse esclarecimento é puramente político e a ele o senhor primeiro ministro não pode fugir», referiu.