O ministro da Economia entende que existiu «aproveitamento político» ainda antes das declarações que fez sobre as escutas a Armando Vara e José Sócrates. Vieira da Silva lembrou que falou em «espionagem política» para se referir a uma «sequência de factos».
O ministro da Economia considerou que existiu «aproveitamento político» antes de ter dito que houve «espionagem política» nas escutas feitas entre Armando Vara e José Sócrates no âmbito do processo Face Oculta.
Na Primeira Comissão Parlamentar, Vieira da Silva explicou que as declarações que fez a este propósito foram truncadas e retiradas do contexto e que as fez com plena consciência, sem que tivesse havido uma gaffe ou mesmo um deslize.
«A minha intervenção é sobre uma sequência de factos: escutas, a notícia e a publicação do conteúdo dessas escutas numa clara violação das mais elementares regras de Direito e do Estado de Direito e depois o aproveitamento político dessas notícias», acrescentou.
O titular da pasta da Economia adiantou ainda que a expressão «espionagem política» que utilizou integrava também o facto de ter havido aproveitamento político das suas declarações na própria Assembleia da República.
Vieira da Silva aproveitou ainda para criticar a presidente do PSD, Manuela Ferreira Leite, que acusou de ter uma «intervenção lamentável sobre a defesa do Estado de Direito» e «intervenção deplorável sobre a separação de poderes».
«Se há aproveitamento ilícito da fuga ao segredo de Justiça num puro oportunismo político deplorável é feito pelo PSD e pela presidente do PSD», concluiu o ministro que esteve na Assembleia da República a pedido dos sociais-democratas.