No dia em que passam cinco anos do início do julgamento Casa Pia, Bernardo Teixeira, uma das alegadas vítimas de abusos sexuais, confessa-se desiludido com a justiça. A TSF falou também com a presidente do conselho directivo da instituição. Joaquina Madeira diz que o passado serviu de lição para o presente.
Em declarações à TSF, Bernardo Teixeira, uma das alegadas vítimas de abusos sexuais na Casa Pia, considera que o arrastar do processo tem sido uma situação dolorosa, mais difícil até do que o tempo que passou na Casa Pia.
«Já não acredito que se faça justiça. Custou mais o processo, estes anos todos, do que propriamente os anos que passei na instituição, indendentemente do crime que foi cometido na altura. As nossas vidas não seguem em frente, o que é muito complicado», afirma.
Bernardo Teixeira receia até que, com o tempo que o julgamento está a demorar, esteja aberto o caminho para que não se ponha fim aos crimes de pedofilia, lembrando que neste momento não há ninguém detido no âmbito deste processo.
Cinco anos depois de ter começado o julgamento do processo Casa Pia, a presidente do conselho directivo desta instituição, Joaquina Madeira, não tem conhecimento de novos abusos sexuais no interior da instituição.
Joaquina Madeira diz que a Casa Pia aprendeu com os erros do passado e que tudo está a ser feito para que «novas situações dessa natureza» não voltem a acontecer.
A presidente do conselho executivo da Casa Pia explica que a vigilância é apertada e que quem trabalha com as crianças está a receber formação, com o apoio de um especialista europeu, para que os técnicos sejam capazes de detectar sinais de abusos sexuais.
Joaquina Madeira também lamenta o tempo que o julgamento está demorar e espera que, quando houver uma sentença, não haja margem para a contestar.
Sobre os tempos do julgamento, Germano Marques da Silva, professor catedrático de Direito Penal, pensa que o processo poderia ter sido mais rápido, se cada arguido fosse julgado em separado.