Manuel Alegre afirmou, esta segunda-feira, que é preciso «repor a decência», dizendo que justiça e política não podem misturar-se e que a corrupção tem de ser combatida dentro do quadro legal do Estado democrático. O socialista considerou ainda «muito difícil» um entendimento entre as forças de esquerda no Parlamento.
Questionado sobre as tensões entre a politica e a justiça numa altura em que o país olha atentamente para as escutas do processo “Face Oculta", Manuel Alegre alertou que é preciso respeitar os princípios do Estado de Direito.
«A corrupção tem de ser combatida com as leis, com as regras e os princípios do Estado de Direito democrático. Não se pode combater um crime com soluções que não respeitam os princípios básicos do Estado de Direito», disse.
«Há muitas notícias nos meios de comunicação [sobre processos de justiça], mas, até agora, nada foi até ao fim. Ora, isto acaba por favorecer a corrupção. Não há soluções contra corrupção e há descredibilização da justiça e do sistema democrático», apontou.
O ex-candidato presidencial observou ainda que «há neste momento um clima de suspeição» nas instituições democráticas portuguesas.
«É preciso repor a decência na nossa vida política, assim como restabelecer a confiança e credibilização das instituições. Este deve ser o discurso de quem quer uma vida democrática sã. Os responsáveis políticos e da justiça não se podem misturar», salientou.
O ex-deputado socialista falava no final da sessão de apresentação de um livro que sintetiza um ano de publicações da revista "Ops!" (Opinião Socialista).
Alegre considerou ainda «incompreensível que as esquerdas não encontrem soluções políticas que correspondam à vontade do seu eleitorado».
Interrogado se equaciona um entendimento mais global entre PS, PCP e Bloco de Esquerda, esta legislatura, no Parlamento, Manuel Alegre não se mostrou optimista em relação a essa perspectiva.
«Acho que vai ser muito difícil» um entendimento entre as esquerdas do Parlamento. «Gostaria, mas vai ser difícil, porque nas esquerdas há modelos políticos diferentes e concepções de sociedade distintas», respondeu o ex-candidato presidencial.
Interrogado sobre o facto de o PS ter viabilizado um projecto de resolução do PSD que apenas substitui o actual modelo de avaliação (não sendo suspenso, como reclamava o resto da oposição), Alegre recusou-se a comentar a solução política e reiterou elogios à acção política da ministra da Educação, Isabel Alçada.
«Há uma atitude dialogante da ministra da Educação, o que é positivo. Isso já é um passo em frente. Há o reconhecimento de que é necessário soluções novas», advogou, considerando que isso também se traduz numa nova atitude por parte do primeiro-ministro, José Sócrates.