A Deloitte não identificou «a prática de quaisquer actos que constituam crime público» nas relações entre a REN e a empresa O2. No entanto, a empresa de auditoria informou que «foram assinaladas insuficiências dos procedimentos internos de contratação».
A Deloitte não identificou «a prática de quaisquer actos que constituam crime público» nas relações entre a Rede Eléctrica Nacional (REN) e a empresa O2, do empresário Manuel Godinho, principal arguido no processo "Face Oculta", indicou esta segunda-feira a empresa energética.
Nas conclusões do seu relatório, no entanto, a empresa de auditoria escreve que «foram assinaladas insuficiências dos procedimentos internos de contratação, em particular no plano dos critérios de selecção das modalidades de adjudicação e dos processos de tomada de decisão interna».
Na auditoria foi também «identificada a necessidade de reforçar os mecanismos de controlo interno em relação ao acompanhamento da execução dos contratos de gestão de resíduos», escreve a Deloitte.
As conclusões pertencem a um relatório pedido pela REN, após o seu presidente, José Penedos, ter sido constituído arguido no âmbito do “Face Oculta”.
O conteúdo do relatório foi transmitido pela Comissão de Auditoria da REN ao Conselho de Administração da empresa e na sequência este deliberou excluir a O2 da lista de fornecedores qualificados, «com vista a não lhe serem adjudicados novos trabalhos».
Atendendo aos resultados da aludida auditoria externa, Já a Comissão de Auditoria, face às conclusões do relatório da Deloitte, decidiu enviá-lo ao Ministério Público e solicitar à mesma empresa «uma análise rigorosa e exaustiva da integridade e eficiência dos sistemas de controlo interno» da REN.
O Conselho de Administração decidiu também «estender a auditoria das relações contratuais com a O2 à análise das transacções subjacentes» e «reforçar os meios ao dispor do gabinete de auditoria interna da REN».
A REN comunicou à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) o resultado da reunião desta segunda-feira entre a Comissão de Auditoria e o seu Conselho de Administração, mas a nota é omissa sobre se José Penedos se vai manter ou não no cargo de presidente da empresa.